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Marcello Casal Jr./Arquivo ABr
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Brasília - A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf
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Brasília - Pelo segundo ano consecutivo, a União
Nacional dos Estudantes (UNE) organiza um boicote ao Exame Nacional
de Desempenho dos Estudantes (Enade), que será
aplicado no domingo (9) a 564 mil alunos de 13 cursos.
Como a participação no Enade é
obrigatória, a idéia é que os estudantes compareçam aos locais de prova, mas deixem de respondem às questões como forma de protesto.
Para a presidente da UNE, Lúcia
Stumpf, a lógica do exame não pode ser a de punir o
estudante que não quer participar. Hoje, os
selecionados que não comparecem ao exame ficam sem diploma ao
final do curso.
“Além disso, acreditamos que a nota dos
estudantes não pode ter um peso maior do que os outros
aspectos da universidade. Os estudantes precisam sim ser avaliados,
mas isso não pode ter peso maior do que a avaliação
dos professores, da estrutura física da instituição,
das suas condições democráticas de funcionamento
e uma série de outros valores”, defende.
O Enade é um dos componentes do Sistema
Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes), que
em seu projeto original estabelece que, além do desempenho dos
alunos, a avaliação deve utilizar outros
instrumentos para aferir aspectos como a gestão, o corpo docente, a responsabilidade social da instituição o
projeto pedagógico do curso e outras
variáveis que influenciam na qualidade do ensino. Mas, desde a sua criação,
em 2004, o Enade continua a ter maior peso.
“A gente vinha desde 2004 sem promover boicote
por entendermos que essa era uma fase de implementação
dos Sinaes, foi um esforço que fizemos junto com MEC
[Ministério da Educação].
Mas, no ano passado, cansados de esperar que as outras medidas fossem
tomadas, boicotamos”, explica Lúcia.
A presidente da UNE diz que em conseqüência
dessa pressão o MEC lançou este ano o Conceito
Preliminar de Cursos (CPC), novo indicador que leva em consideração a infra-estrutura, a
titularidade dos professores e uma avaliação dos alunos
sobre o currículo do curso. “Mas o Sinaes ainda não
alcançou o patamar que desejamos”, avalia.
Para o coordenador-geral do Enade, Webster
Cassiano, o boicote é uma prática equivocada, porque
“cria um conceito para a instituição que não é
real”. “O estudante deixa a instituição,
mas ela vai acompanhá-lo pelo resto da vida. Então é
importante que ele tenha uma participação efetiva,
porque ele vai estar contribuindo para um sistema muito maior do que
a própria instituição”, pondera.
Cassiano
reconhece que a nota do Enade não é um “reflexo absoluto
da realidade”, mas destaca que o exame dá bons indicativos da qualidade dos
cursos.
O Enade será aplicado no domingo em 2.274 locais de provas, a partir das 13h (horário de Brasília).
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