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Roma (Itália) - A eleição
de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos, na
opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode
ser comparada com a eleição de Nelson Mandela para a Presidência da África do Sul. Em entrevista coletiva hoje (11),
em Roma, após almoçar com o primeiro ministro da
Itália, Silvio Berlusconi, Lula falou da importância da
eleição de um negro para a Presidência dos
Estados Unidos.
“Eu vejo a eleição
de Obama para a Presidência dos Estados Unidos como foi a
eleição do Nelson Mandela para a Presidência da África do Sul. Isso teve uma grande importância para todo
o mundo. A eleição de Mandela ocorreu quando os negros
perceberam que eram maioria”, disse Lula, ao lado de Berlusconi,
que foi muito criticado na semana passada por ter chamado Obama de
“bronzeado”. Símbolo da luta contra o apartheid, Nelson Mandela foi o primeiro presidente negro da África
do Sul, país com grande maioria negra colonizado pelos ingleses. Mandela governou o país de 1994 a 1999.
Para Lula, o que de mais
importante que aconteceu no mundo depois da deflagração
da crise econômica foi a eleição de Barack Obama.
Mais cedo, em um encontro com sindicalistas, Lula comparou o feito
com sua própria história.
“Não é
qualquer coisa eleger um negro como presidente dos Estados Unidos.
Como não foi qualquer coisa o Brasil eleger um torneiro
mecânico ou a Bolívia eleger um índio ou o
Paraguai eleger um bispo da Igreja Católica para presidente”,
disse.
Tanto Berlusconi
quanto Lula reconheceram que a responsabilidade de Obama é
muito grande. De acordo com o presidente brasileiro, a própria
crise foi um elemento que motivou sua votação. “Uma
das razões pelas quais ele foi eleito foi a própria
crise. E eu acho que, inteligente como ele parece ser, se esta crise
não for debelada logo, um ano depois vai ficar na
responsabilidade dele”, disse Lula.
De acordo com assessores do
governo brasileiro, a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos vem
trabalhando para articular um encontro de Lula com o presidente
eleito para a próxima semana, quando o presidente brasileiro estará em
Washington para a reunião do G20. No entanto, ainda não
há confirmação se o encontro realmente
acontecerá visto que o próprio Obama divulgou, por meio
de sua assessoria, que permanecerá afastado das negociações
do G20 para evitar o que se chamaria de “posse antecipada”.
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