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Roma (Itália) - O governo brasileiro
assinará amanhã (12) com o Vaticano um acordo
diplomático regulamentando a atuação da Igreja
Católica no país. O documento ratifica as regras já
seguidas pela Igreja, e, de acordo com autoridades brasileiras, não
ferem o princípio da laicidade do Estado presente na
Constituição Federal.
Estado laico significa
estado desvinculado da religião. É um princípio
que garante a liberdade e a diversidade de credos.
A proposta foi feita
primeiramente pelo Vaticano e começou a ser negociada com o
Brasil em outubro de 2006. O ponto mais controverso foi o que trata
do ensino religioso nas escolas públicas. Na proposta inicial,
o Vaticano queria a inclusão do ensino religioso católico
como matéria opcional do ensino fundamental. O governo
brasileiro aceitou, mas acrescentou a expressão “outras
confissões” ao texto para garantir o respeito a diversidade
religiosa no país.
“No acordo não
tem malandragem”, disse a diretora do Departamento de Europa do
Ministério das Relações Exteriores, embaixadora
Maria Edileuza Fontenele Reis, uma das negociadoras com a Santa Sé.
A assinatura do acordo
é parte da reunião que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva terá com o secretário de Estado do
Vaticano, Tarcisio Bertone, pela manhã, e será assinado
pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso
Amorim, e pelo secretário para Relações com os
Estados do Vaticano, Dominique Mamberti.
O documento tem 20
artigos e trata ainda das isenções fiscais para a
Igreja e instituições eclesiásticas. Nessas
instituições não estão incluídas
as universidades católicas e as instituições de
ensino.
O documento também
formaliza o respeito ao segredo da confissão e indica que a
atividade dos sacerdotes não caracteriza vínculo
empregatício. Fica acertado também que os missionários
estrangeiros que pretendem atuar no Brasil precisam obter visto para
permanência no país.
O documento ainda
confirma a proibição do livre acesso de missionário
às áreas indígenas brasileiras.
“Hoje, a política
da Funai [Fundação Nacional do Índio] é
de respeito às comunidades indígenas e sua cultura”,
disse a embaixadora do Brasil no Vaticano, Vera Machado.
Outro ponto do acordo
estabelece que o patrimônio cultural da Igreja, as igrejas
histórias e as obras de arte pertencem também ao
governo brasileiro e tanto a Igreja quanto o governo têm a
responsabilidade de preservá-lo.
Os casamentos também
estão regulamentados no acordo. Para se ter validade civil
devem ser registrados em cartório, como já acontece no
Brasil. Quando a religião católica era considerada a
religião oficial do Estado havia o casamento religioso com
efeito civil.
O documento não
trata de questões como a influência da Igreja Católica
no processo legislativo brasileiro. Nos últimos anos, as
discussões sobre temas polêmicos no Brasil, como o
aborto, a pesquisa com células tronco embrionárias, o
ensino religioso, a união civil entre pessoas do mesmo sexo e
a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos,
fizeram com que a Igreja Católica se coloque como interessada
em ser ouvida pelo Legislativo, o Judiciário e pelo próprio
Poder Executivo.
De acordo com a
embaixadora Vera Machado, o documento não normatiza essa
atuação.
“É apenas um
documento administrativo, que não muda o que já está
definido no Brasil. O acordo avança por estabelecer um único
documento com as regras que definem a relação da Igreja
com o estado”, explicou a embaixadora.
O Vaticano tem relações
diplomáticas com mais de 170 países, sendo que dos
países com maioria católica o Brasil é o último
a formalizar a atuação da Igreja em seu território.
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