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Brasília - As
divergências na base aliada do governo por causa da forma de
edição da Medida Provisória (MP) 446, que trata
de novas regras para as entidades filantrópicas, levaram os
ministros das Relações Institucionais, José
Múcio Monteiro, e do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, a
se “penitenciar” diante dos lideres governistas durante a
discussão da matéria hoje (18) na liderança do
governo na Câmara dos Deputados.
José Múcio disse que
considera o problema superado, mesmo com as críticas à
forma de edição da MP, feitas pela imprensa na semana
passada. Sobre as críticas da base aliada, o ministro admitiu
que talvez o governo tenha errado por não ter discutido a
proposta antes com seus parceiros. “Conversamos hoje com os líderes
sobre isso. Nós nos penitenciamos por isso", afirmou.
“O dissenso estava mais no campo
político, da maneira e da forma como foi feita [a medida
provisória]. Acho
que no princípio nós perdemos um pouco a comunicação”,
disse Múcio, após a reunião, da qual
participaram também representantes das entidades
filantrópicas. Segundo ele, o governo está aberto ao
entendimento para aprimorar o texto enviado ao Congresso. “Não
existe posição definitiva e as coisas vão ser
resolvidas ponto a ponto. O governo está aberto as correções
para melhorar o texto.”
O líder do governo, Henrique
Fontana (PT-RS), considerou a reunião esclarecedora. Para ele,
a medida provisória melhora o sistema filantrópico,
“tornando-o mais imune às fraudes e combatendo qualquer tipo
de desvio de recursos nessa área”. Fontana também
disse que o governo está aberto às discussões,
se houver um ou outro ponto a ser aperfeiçoado na MP.
“O governo tem pressa na aprovação,
porque ela [MP] é boa para consolidar a filantropia
séria no país, que é praticada pela imensa
maioria das entidades do setor”, ressaltou Fontana. De acordo com
ele, a base aliada considera a MP muito boa, porque qualifica a forma
de conceder o certificado de filantropia, moraliza a concessão
e permite que o Conselho Nacional de Assistência Social execute
sua tarefa de acompanhar a política de assistência
social no país .
Ele negou que a MP conceda qualquer
tipo de anistia: “Ao contrário, a forma de avaliar a
concessão de certificados será mais eficaz e mais
rigorosa.”
O líder do PT, Maurício
Rands (PE), disse que os ministros Patrus Ananias e José Múcio
reconheceram que deveriam ter conversado com os aliados do governo
antes de definir o texto da medida provisória. Para ele, as
divergências quanto à forma de edição da
MP foram esclarecidas e a base aceitou as explicações
dos ministros.
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