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Brasília - O
empresário Marcos Valério e outras 26 pessoas, entre elas diretores e
ex-diretores do Banco Rural, foram denunciados pelo Ministério Público
Federal em Minas Gerais (MPF/MG) na última segunda-feira (17), por
crimes relacionados ao chamado mensalão mineiro.
O
esquema criminoso vigorou em 1998 durante a campanha de reeleição de
Eduardo Azeredo (PSDB - MG) ao governo de Minas Gerais. O atual senador e outras 14
pessoas foram denunciados pelo procurador-geral da República, Antonio
Fernando Souza, em novembro do ano passado, por terem criado e
desenvolvido na capital mineira um esquema utilizado posteriormente em
âmbito nacional, que ficou conhecido no escândalo do mensalão.
As
provas da existência do esquema mineiro foram encontradas justamente
durante a apuração do escândalo nacional. Ambos os esquemas de formação
de caixa dois, por meio do superfaturamento ou simulação de contratos
de publicidade firmados com o governo, contaram com a participação de
Marcos Valério, de suas empresas e do Banco Rural.
As
denúncias oferecidas são desdobramentos do inquérito principal, que
tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao foro privilegiado de
alguns dos acusados pelo procurador-geral da República.
Em uma das denúncias, que também inclui o juiz federal do Tribunal
Regional Eleitoral de Minas Gerais, Rogério Lanza Tolentino, o MPF
acusa Valério dos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Tolentino é acusado de corrupção passiva e também lavagem.
Em
setembro e outubro de 1999, Rogério Tolentino teria recebido mais de R$
300 mil para favorecer os candidatos Eduardo Azeredo e Clésio Andrade,
candidatos a governador e vice. De acordo com o MPF/MG, as decisões
eram proferidas sistematicamente após os depósitos serem efetivados
pela empresa SMP&B.
Segundo
a denúncia, o esquema de corrupção funcionava com uma das empresas de
Valério (DNA Propaganda ou SMP&B Comunicação) conseguindo
empréstimos junto ao Banco Rural para investir na campanha de Azeredo e
Andrade ou para remunerar os sócios das duas agências pelos serviços
criminosos.
Entre
as irregularidades apontadas, está o fato de que os empréstimos não
tinham destinação fundamentada e eram pagos com recursos de origem
desconhecida.
As
denúncias foram apresentadas à 4ª Vara da Justiça Federal em Belo
Horizonte. Alguns acusados podem ser condenados a até 30 anos de prisão.
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