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Brasília - A
desigualdade racial – medida pela razão de renda de brancos
e negros – está caindo no Brasil. É o que mostra a
publicação Desigualdades raciais, racismo e
políticas públicas 120 anos após a abolição,
divulgada hoje (20) pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea). Dados indicam que houve uma “sensível”
melhoria no padrão distributivo brasileiro quando comparadas
as populações negras e brancas e que a queda na
diferença entre as rendas, entre 2001 e 2007, foi
de 25%.
A pesquisa mostra
que, após oscilar durante 12 anos em torno de 2,4, o indicador
da desigualdade racial começou a cair após 2001. Em
2007, a razão chegou a ser de 2,06. A população
branca, de acordo com o Ipea, ainda vive no país com pouco
mais que o dobro da renda disponível, em média, para a
população negra – mas a tendência recente é
a diminuição dessa diferença.
Entretanto,
ao considerar que o valor ideal para esse indicador seja igual a
1, ainda faltam 3/4 da diferença a serem
reduzidos. Assim, se o ritmo continuar o mesmo, haverá
igualdade na renda domiciliar de brancos e negros
apenas em 2029. “A
pergunta natural é se a redução da
desigualdade racial é mera conseqüência da redução
da desigualdade geral de renda. É possível que a
redução não seja
conseqüência da redução nas práticas
discriminatórias e, sim, do fato de negros serem maioria entre
os beneficiários do Programa Bolsa Família, dos
benefícios previdenciários indexados ao salário
mínimo e do Benefício de Prestação
Continuada, bem como de outros mecanismos de redução da
desigualdade geral”, diz o Ipea.
A
publicação destaca que não se deve subestimar a
importância da redução da desigualdade racial
para a vida de indivíduos negros no país. Por serem
maioria da população na fatia inferior da distribuição
de renda, a conclusão do Ipea é que qualquer política
leva a melhorias absolutas ou relativas para os 50% mais pobres.
O instituto destaca que, apesar dos avanços registrados, não
houve alteração no quadro de oportunidades no mercado
de trabalho – principal fonte de renda e de mobilidade social
ascendente. De acordo com a pesquisa, a situação da
população negra no Brasil continua bastante vulnerável
e a dependência de ações do governo mostra a
inexistência de mecanismos sociais, institucionais e legais que
alterem o cenário de desigualdade.
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