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Brasília - O governo admitiu que a crise financeira provocou uma desacelaração do crescimento da economia brasileira, ao enviar ao Congresso Nacional, nesta semana, os novos parâmetros para o Orçamento 2009. A meta de crescimento da economia defendida pelo governo, até então de 4,5%, foi revista para baixo: 4%. É o que consta no documento enviado pelo Ministério do Planejamento ao Congresso. De acordo com o relator do Orçamento 2009, senador Delcídio Amaral (PT-MS), a mudança pede um corte de R$ 15 bilhões na previsão de gastos para o próximo ano.
O
governo reviu também o preço do barril de petróleo de US$
111,00 para US$ 76,37. A inflação, que havia sido
estimada pelo governo em 4,5%, foi revista para 5,19%. Já o
preço do dólar, que o governo esperava fechar o ano em
R$ 1,71, ficará em R$ 2,04 pelas estimativas do governo. O crescimento do
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro também foi revisto para
baixo. O governo havia previsto um aumento de 4,5% para o PIB, mas a
estimativa agora é de 4%.
Dos R$ 15 bilhões a serem cortados, R$ 8 bilhões
referem-se à queda na arrecadação do governo federal e
aproximadamente R$ 7 bilhões estão relacionados à
diminuição dos royalties de petróleo,
receita afeta a arrecadação dos estados e e municípios. “A gente está
procurando fazer uma revisão de receita para avaliar o impacto
disso tudo. O Ministério do Planejamento informou ou que o
corte que deve ser feito é aquele que já estávamos
estimando em R$ 15 bilhões, sendo R$ 8 bilhões para o
governo federal e aproximadamente R$ 7 bilhões para os estados
e municípios”, destacou o senador.
Os cortes, na avaliação
do senador, não vão atingir o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) e os programas sociais do governo, como o Bolsa
Família, por exemplo. No entanto, Delcídio não
garantiu que o orçamento das estatais será preservado. “Vamos preservar o
PAC e os programas sociais. Temos margem para fazer os cortes sem
mexer na área social e no PAC. Vamos reavaliar as verbas de
custeio e algumas áreas de investimentos dos outros
ministérios, mas tentar preservar os investimentos porque, em
um momento de crise como este, eles são muito importantes”,
explicou o senador. “Em princípio não haverá
cortes nos orçamentos das estatais. Em princípio, nós
vamos mexer no orçamento fiscal do governo”, destacou.
Para o PAC estão
previstos R$ 21 bilhões para o próximo ano. O programa
abarca a maior parte das verbas de investimento previstas que somam
R$ 39 bilhões. Fora o PAC são investimentos dos
ministérios e das estatais. O senador acredita que há
uma margem grande para se cortar no custeio e disse que será
inevitável cancelar a realização de concursos
públicos que estavam sendo planejados para diversas áreas
do governo.
“O custeio tem um
espaço muito grande, até porque existem ainda espaços
como concursos públicos que podemos suspender. Temos condições
de melhorar os gastos correntes em determinadas áreas. Há
espaço para cortar nos investimentos e também no
custeio”, disse o senador. Quanto o salário
mínimo, Delcídio garantiu que aumento previsto na Lei
de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovada no meio desse
ano, será preservado. “O aumento do salário mínimo
também será mantido e deverá ficar em R$
464”, garantiu.
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