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Marcello Casal Jr/ABr
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Rio de Janeiro - O índio Pataxó Kâhu Wêrimehi fala sobre a exploração sexual de crianças e adolecentes nas aldeias indígenas
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Rio de Janeiro - Único representante dos jovens indígenas brasileiros no 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração
Sexual contra Crianças e Adolescentes, Kâhu
Wêrimehi, 18 anos, reclama da falta de debate sobre a exploração sexual
nas áreas próximas às aldeias. O encontro reúne, no Rio de Janeiro, cerca de
300 jovens de vários países, convidados a debater o tema e apresentar
soluções.
Na oficina destinada a discutir o assunto, foram
convidados dois especialistas: um mexicano e, outro, canadense, que
falaram sobre a população indígena e aborígene dos seus respectivos
países.
“Não fomos convidados. E as comunidades indígenas
brasileiras enfrentam muito a questão da exploração sexual. Na minha
comunidade, Pataxó, em Porto Seguro, as meninas indígenas são aliciadas
para turismo sexual. Já recebemos também várias denúncias de outras
comunidades que estão sofrendo com isso, principalmente em áreas com
grandes obras”, alerta Kâhu.
“O único jovem indígena aqui sou eu. Não tivemos um
espaço pra falar, nem uma oficina sobre a situação nas aldeias.
Precisamos de todo o apoio possível para tratar esse problema. As
crianças e adolescentes indígenas se tornaram alvo fácil da rede de
exploração sexual.”
A socióloga Marlene Vaz, uma das principais
especialistas em exploração sexual do Brasil, concorda que o congresso
peca por não trazer debates sobre questões emergentes ou mesmo sobre
como integrar políticas públicas para atender comunidades vulneráveis e
isoladas. “O Brasil tem políticas públicas bem conceituadas, que são
referência para o mundo. Mas ainda precisamos discutir a aplicação
dessas políticas”, ressalta Marlene Vaz.
“Conheço pouco da realidade indígena, mas por
matérias jornalísticas tenho visto que a situação é grave. As meninas
saem das comunidades para conseguir dinheiro e depois voltam para
aldeia. A mídia está mostrando isso, mas o governo ainda não está
agindo como deveria. Infelizmente, esse debate também não está presente
neste congresso, pelo menos até o momento.”
No que diz respeito à exploração sexual em áreas
próximas às grandes obras, a socióloga sugere que os Centros de
Referência em Assistência Social (Creas) sejam expandidos nas cidades
próximas às áreas indígenas, especialmente na Amazônia. Para Marlene
Vaz, também é fundamental a ampliação da assistência social às famílias.
“Nessas grandes obras, a mão-de-obra local precisa
ser absorvida para que as famílias não aceitem viver da exploração
sexual de crianças e adolescentes. Enquanto isso não for feito, as
obras serão mesmo um ponto de atração para exploração de meninas,
indígenas e não-indígenas.”
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