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Brasília - A 14ª
Conferência da Organização das Nações
Unidas sobre mudanças climáticas, a COP-14, que começou
hoje (1°) em Póznan, na Polônia, será a
transição entre a fase de debates e a efetiva
negociação de textos para o substituto do Protocolo de
Quioto. A avaliação é do negociador-chefe da
delegação brasileira na COP-14, embaixador Luiz Alberto
Figueiredo.
Ao longo
de 2008, Figueiredo comandou a negociação do chamado
Mapa do Caminho, roteiro definido na última COP, em Bali, para
guiar a elaboração de um novo acordo climático
global.
“Os
países atenderam ao chamado com idéias e propostas,
discutidas intensamente em preparação para a negociação
de textos. Póznan marca a mudança de marcha no carro:
passamos de um momento de debate para a negociação”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Um dos
temas que mais avançaram, segundo Figueiredo, foi a discussão
de estratégias de Redução de Emissões por
Desmatamento e Degradação (REDD). O assunto interessa
particularmente ao Brasil, onde o desmatamento é responsável
por quase 75% das emissões nacionais de gases de efeito
estufa.
“Há
um consenso muito claro de que ações de redução
de emissões por desmatamento devem ser apoiadas
internacionalmente. A discussão agora será sobre quais
meios irão financiar essas ações”, explicou. Na
avaliação do embaixador, nesse contexto, o Fundo
Amazônia, lançado em agosto pelo governo, deverá ganhar
força em Póznan, mesmo diante da crise financeira
internacional.
A
expectativa do negociador-chefe da delegação brasileira
é de que a crise não afete os esforços
internacionais de enfrentamento às mudanças climáticas
acordados até agora. “As
medidas de combate à crise [econômica]podem se transformar numa grande
oportunidade para também ajudar no combate à crise do
clima. A crise é preocupante, mas há essa esperança
de que ela possa ser uma oportunidade."
Sobre o
estabelecimento de metas obrigatórias de redução
de emissões de gases de efeito estufa para os países em
desenvolvimento, entre eles o Brasil, o embaixador disse que o
assunto “não está em negociação”.
“O que
está sendo negociado para os países em desenvolvimento
são ações de redução de emissões
no âmbito de políticas de desenvolvimento sustentável,
ações que sejam nacionalmente adequadas e que sejam
apoiadas por financiamento e tecnologia dos países
industrializados. Isso tudo feito de maneira mensurável”, afirmou.
A
inclusão desse tipo de compromisso para os países
pobres é uma das principais bandeiras das organizações
não- governamentais e de ambientalistas.
A posição
brasileira é baseada no chamado princípio das
responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Ou seja, os
países desenvolvidos, que historicamente contribuíram
mais para as emissões de gases do efeito estufa, devem ter
mais responsabilidade no enfrentamento das mudanças do
clima. “Não é um princípio meramente político,
é comprovado pela ciência. É a tradução
jurídica de um conceito científico”, argumentou.
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