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São Paulo - A lentidão da
Justiça no Brasil foi alvo de críticas do presidente do
Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, na cerimônia
de abertura da terceira Semana de Conciliação, em São
Paulo.
De acordo com Mendes, a
sociedade tem um enorme déficit de justiça. "A
sociedade tem recursos para ter um bom sistema judiciário. Não
há justificativa para ter uma justiça tão
lenta".
Para o presidente do
STF, vários problemas causam a morosidade do sistema
judiciário, entre eles a falta de defensores públicos."Temos
cerca de cinco mil defensores em todo o país. Este número
é pequeno".
Mendes, no entanto,
acha a quantidade de juízes suficiente e defendeu mais
informatização das varas de execuções
criminais para evitar, por exemplo, que detentos permaneçam
nos presídios depois de terem cumprido integralmente a pena.
“Sou a favor de
informatizar todas as varas de execuções criminais para
administrar melhor o sistema. Há uma estimativa que 30% da
população carcerária esteja recolhida
indevidamente", disse.
O presidente do STF
ressaltou que a informatização sozinha não vai
desafogar o grande número de processos que chega aos
tribunais. Gilmar Mendes afirma ser necessária uma mudança
na sociedade para que as pessoas procurem mais intensamente a
conciliação para resolver os conflitos. "É
preciso mudar a cabeça das pessoas, evitar os conflitos antes
de procurar a Justiça".
O ministro falou ainda que eventos como os
mutirões dentro da Semana da Conciliação
aceleram de alguma forma os processos, mas que o Judiciário
não pode viver de mutirões para ser mais ágil.
Na opinião do presidente do STF, a Justiça precisa é
de uma reforma. "A necessidade é reformar o sistema para
não termos que fazer mutirões como esse nunca mais",
disse.
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