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4 de Dezembro de 2008 - 06h12 - Última modificação em 4 de Dezembro de 2008 - 09h32


Serviços bancários ainda não são acessíveis, diz deficiente visual

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Quando resolve ir ao banco, Clóvis Pereira, que é deficiente visual, diz que enfrenta dificuldades do momento em que sai de casa até a hora em que é atendido no caixa. Segundo ele, os entraves começam nas calçadas quebradas, passam pelo transporte público inadequado, pela falta de preparo das agências em oferecer softwares de áudio para que os cegos possam utilizar sozinhos o caixa eletrônico, e terminam na fila do caixa, quando o direito a um atendimento especial nem sempre é respeitado.

“Nós temos uma das melhores constituições do mundo, com textos muito bem elaborados, mas o direito da pessoa com deficiência não é garantido”, reclama.

De acordo com ele, que também é coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, a reclamação é por uma causa coletiva, e não apenas das pessoas com deficiência. “Uma cidade bem planejada, com calçadas acessíveis, facilita a vida de idosos, gestantes e de todas as pessoas que necessitam disso”.

Para facilitar o acesso de pessoas com deficiência às agências bancárias, os 20 maiores bancos do Brasil assinaram, em outubro, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público. Entre as ações previstas está a capacitação de profissionais para atender a esse público, a instalação de softwares de áudio nos caixas eletrônicos, adaptações arquitetônicas das agências e extratos em braille.

O diretor de Relações Institucionais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Mário Sérgio Vasconcelos, explica que a implementação de todas essas ações leva tempo. Segundo ele, foi estipulado um prazo diferente para cada proposta – 50% das agências devem ter pelo menos uma máquina adaptada para pessoas com deficiência em até seis meses. “O problema é que só agora começamos a corrigir esses erros no Brasil. Estamos tentando corrigir problemas de 500 anos”, alega Vasconcelos.

Mesmo assim, ele defende que o setor bancário é o mais avançado quando o assunto é acessibilidade. “Não existe nenhum setor da economia brasileira que esteja tão avançado nisso quanto o setor bancário. Com esse TAC, nós conseguimos reunir todo o setor bancário, que é presente na vida da maior parte das pessoas, e mobilizar esforços para garantir que todos tenham acesso aos serviços bancários”, conclui.



 


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