|
Costa do Sauípe (BA) - A criação
do Conselho de Defesa Sul-Americano, uma proposta do governo
brasileiro, foi aprovada hoje (16), em cúpula extraordinária
da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
Segundo o ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, o objetivo do conselho não é
uma aliança militar, e sim a articulação e
coordenação de estratégias de defesa do
continente.
“[O
conselho] visa a desenvolver uma visão na região
sobre problemas de defesa, ajuda na confiança mútua e a
ênfase é no aspecto de cooperação,
treinamento, equipamentos e uma base industrial comum na área
de equipamento de defesa”, relatou Amorim. “Não é
um instrumento de operações militares.”
Desde
o final do ano passado, o ministro da Defesa, Nélson Jobim,
percorreu diversos países da região apresentando a
proposta do conselho. Em maio deste ano, a proposta foi formalmente
apresentada à Unasul, durante reunião de presidentes
realizada em Brasília, e foi criado um grupo de trabalho para
analisar a sugestão brasileira.
Na ocasião, o
presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, deixou claro que
não participaria da iniciativa devido a diferentes
posicionamentos, dentro da região, quanto à atuação
das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
(Farc). Uribe não participou da reunião de hoje da
Unasul – foi representado pelo vice-presidente, Francisco Santos –
e o conselho foi aprovado por consenso.
Amorim
não deu detalhes sobre o projeto aprovado, mas confirmou que,
conforme proposta original do Brasil, caberá ao conselho
promover a integração das bases industriais de defesa
visando à criação de um parque industrial
regional.
A
proposta inicial brasileira previa outras atribuições,
como a análise da conjuntura internacional e de situações
regionais e sub-regionais na área de defesa, além da
coordenação de ações para o enfrentamento
de riscos e ameaças à segurança dos estados. O
conselho seria responsável, ainda, pela promoção
do intercâmbio de pessoal entre as Forças Armadas dos
países, da formação e treinamento de militares,
da realização de exercícios militares conjuntos
e da participação conjunta em operações
de paz da Organização das Nações Unidas
(ONU).
Além do
Conselho de Defesa, a Unasul aprovou a criação do
Conselho Sul-Americano de Saúde. Os presidentes também
ouviram relato da Comissão de Direitos Humanos da Unasul, que
investigou denúncias de violação dos direitos
humanos no Departamento de Pando, na Bolívia, na fronteira com
o Acre, onde camponeses foram mortos durante conflito entre
autonomistas contrários a Evo Morales e partidários do
presidente.
Amorim
não revelou as conclusões do relatório. Apenas
informou que os membros da Unasul concordaram em enviar o relatório
à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e ao Alto
Comissário de Direitos Humanos da ONU.
Quanto
à escolha do secretário-geral do grupo, a decisão
foi adiada para abril. O tema prometia polêmica, uma vez que o
presidente do Uruguai, Tabaré Vazquez, disse que abandonaria o
grupo, caso fosse confirmado o nome do ex-presidente argentino Nestor
Kirchner. Amorim assegurou que nomes sequer foram citados na reunião.
Segundo Amorim, mais
importante do que a escolha de um secretário-geral, que
ocuparia a função interinamente, é a ratificação
do tratado de criação da Unasul, o que, até
agora, foi feito apenas pelo Parlamento de dois dos 12 países
membros – Bolívia e Venezuela. Também integram o
grupo Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Colômbia, Equador,
Peru, Chile, Guiana, Suriname.
|
|