|
Brasília - Desde o agravamento
da crise financeira internacional, o governo injetou mais de R$ 360
bilhões na economia. Seja por meio de gastos próprios,
de redução de impostos ou de medidas monetárias
e cambiais, as autoridades brasileiras permitiram a circulação
de pelo menos R$ 363,3 bilhões para manter o nível de
atividade e combater a restrição ao crédito, que
irriga o consumo e os investimentos.
O número foi
obtido com base em levantamento da Agência Brasil e de
anúncios recentes por membros do governo. Grande parte do
dinheiro veio das medidas de redução e flexibilização
do compulsório – dinheiro que os bancos são obrigados
a manter depositado no Banco Central (BC). Segundo estimativa
divulgada na última quinta-feira (18), pelo presidente do BC,
Henrique Meirelles, somente as mudanças no compulsório
liberaram R$ 98 bilhões.
Outra medida com potencial
quase equivalente ao da liberação do compulsório
foi a mudança nas regras de contabilidade das instituições
financeiras definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na
última quarta-feira (17). A decisão propiciou a
liberação de R$ 81,2 bilhões para a concessão
de crédito. No mesmo dia, o CMN autorizou os pequenos e médios
bancos a usar R$ 5,4 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito
(FGC) para emprestar a pessoas físicas e
jurídicas.
Destinadas a conter a disparada do dólar,
as atuações no mercado de câmbio atingiram US$
53,4 bilhões, que equivalem a aproximadamente R$ 126 bilhões,
tendo como base a cotação do dólar em R$ 2,36
registrada na sexta-feira (19). Mais da metade desse total, US$ 28,9
bilhões, vem de leilões de swap cambial,
operações que não eram feitas pelo BC desde maio
de 2006 e funcionam como venda de dólares no mercado
futuro.
O governo também consumiu US$ 9,8 bilhões
das reservas internacionais para vender dólares diretamente
aos investidores e pressionar a cotação para baixo. A
retirada de contratos de swap cambial reverso, que na prática
funcionam como compra de moeda estrangeira no mercado futuro e
empurram o dólar para cima, somou US$ 1,5 bilhão.
A
autoridade monetária também ofereceu, até agora,
US$ 10,8 bilhões em leilões de dólares de linhas
de crédito externas e US$ 2,4 bilhões em venda de moeda
estrangeira com o objetivo de incrementar o financiamento ao comércio
exterior. Essas duas últimas operações, no
entanto, funcionam apenas como empréstimos porque o BC vende o
dinheiro com compromisso de recomprá-lo mais tarde.
Até
agora, o governo atuou em quatro linhas: desonerações,
intervenções no mercado de câmbio, facilitação
do crédito e mudanças na legislação
bancária mediante principalmente liberação de
parte do compulsório. As atuações, que no começo
se concentravam em conter a alta do dólar, aos poucos passaram
a incluir a ajuda direta a setores da economia.
Confira abaixo
as medidas tomadas pelo Banco Central e o Conselho Monetário
Nacional desde o final de setembro, quando a crise econômica se
intensificou:
Mudanças na legislação
bancária • BC unifica recolhimento do compulsório
sobre operações de leasing (arrendamento) e
sobre depósitos a prazo. Autoridade monetária também
reduz alíquota sobre compulsório adicional a prazo e
aumenta de 30% para 40% parcela que pode ser recolhida em títulos,
mas alega que mudanças não injetarão recursos na
economia (19 de dezembro) • Alteração na
contabilidade dos bancos permite a instituições
financeiras emprestarem R$ 81,2 bilhões a mais para
consumidores (17 de dezembro) • Conselho Monetário
Nacional (CMN) aprova destinação de R$ 5,4 bilhões
do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – que garante depósitos
de clientes em caso de quebra de bancos – para pequenas
instituições emprestarem a empresas e pessoas físicas
(17 de dezembro) • Medida provisória permite que empresas devedoras de impostos tenham acesso a crédito público por seis meses (16 de dezembro) • Bancos são autorizados a abater
do compulsório a prazo valor aplicado em papéis do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Mudança libera R$ 6,2 bilhões para a instituição
(25 de novembro) • BC altera forma de recolhimento da
“exigibilidade adicional” – compulsório adicional sobre
depósitos à vista, a prazo e da poupança. Em vez
de ser recolhido em espécie, o dinheiro passa a ser recolhido
em títulos públicos (13 de novembro) • BC
dispensa apresentação de garantias em títulos
nos leilões de empréstimos de dólares destinados
a financiar o comércio exterior (4 de novembro) •
BC muda forma de recolhimento de compulsório sobre depósitos
a prazo e força bancos maiores a comprarem carteiras de
crédito de bancos menores (30 de outubro) • BC
autoriza desconto no compulsório sobre depósitos a
vista para bancos que anteciparem contribuições ao FGC,
injetando R$ 6 bilhões (27 de outubro) •
Presidente Lula edita Medida Provisória 443, que permite a
bancos oficiais adquirirem ações de instituições
financeiras privadas sem licitação (22 de outubro) •
Bancos menores são autorizados pelo BC a vender mais tipos de
ativos para bancos maiores (16 de outubro) • CMN autoriza
Banco Central a obrigar que instituições destinem
dólares adquiridos em leilões de empréstimos ao
financiamento do comércio exterior (16 de outubro) •
BC aumenta abatimento sobre recolhimento da “exigibilidade
adicional” e depósitos a prazo. Autoridade monetária
também institui desconto para compulsório sobre
operações de leasing (arrendamento) e amplia
número de bancos que podem ter carteiras de crédito
adquiridas por instituições maiores. Mudanças
injetam R$ 47,1 bilhões na economia (13 de outubro) •
CMN autoriza BC a participar da administração de bancos
em dificuldade, restringindo até remuneração de
acionistas e diretores (9 de outubro) • BC aumenta
desconto no recolhimento do compulsório sobre depósitos
a prazo e reduz alíquotas da “exigibilidade adicional”
sobre depósitos a vista e a prazo, liberando R$ 23,2 bilhões
(8 de outubro) • Presidente Lula assina Medida Provisória
442, que autoriza BC a adquirir carteiras de crédito e
socorrer bancos em dificuldade (6 de outubro) • BC passa
a usar recursos das reservas internacionais em linhas de crédito
no exterior para ajudar exportadores (6 de outubro) •
Bancos grandes que comprem carteiras de crédito de bancos
médios e pequenos têm compulsório reduzido,
liberando R$ 23,5 bilhões (2 de outubro) • BC adia
implementação do recolhimento do compulsório
para operações de leasing (arrendamento) e
amplia valor que pode ser deduzido do recolhimento da “exigibilidade
adicional”, injetando R$ 13,2 bilhões na economia (24 de
setembro)
Atuações no mercado de câmbio •
Governo libera empréstimo de recursos das reservas
internacionais para empresas pagarem dívidas no exterior com
vencimento até dezembro de 2009 (11 de dezembro) •
BC e Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, firmam
linha de swap, troca de dólares por reais, no valor de
US$ 30 bilhões até 30 de abril de 2009 (29 de
outubro) • Após a moeda norte-americana chegar a R$
2,48, BC vende dólares das reservas internacionais pela
primeira vez em mais de cinco anos para reduzir a cotação
(8 de outubro) • Redução a zero da alíquota
do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(IOF) para aplicações em renda fixa de estrangeiros no
Brasil e operação de empréstimos e
financiamentos externos. A medida atrai a entrada de capitais
externos no país (22 de outubro) • Pela primeira
vez desde maio de 2006, BC volta a fazer leilões de swap
cambial, troca de rendimentos entre a variação do
câmbio e dos juros que funcionam como venda de dólares
no mercado futuro (6 de outubro) • BC leiloa US$ 500
milhões para bancos financiarem exportações do
Brasil. O dinheiro é emprestado, com a exigência de ser
devolvido após 30 dias (19 de setembro)
|
|