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Brasília - De um total de 96
cursos superiores de instituições particulares que
obtiveram nota um – a mais baixa possível – no último
Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), 67% deles estão
credenciados pelo Ministério da Educação para
oferecer bolsas de estudo a alunos de baixa renda no Programa
Universidade para Todos (ProUni). É o que aponta
levantamento feito pela Agência Brasil. Da lista dos 127
cursos com nota 1 foram excluídas 31 universidades públicas
que, por sua natureza, não fazem parte do programa.
Segundo o Ministério
da Educação (MEC), o problema acontece porque, de acordo com a lei do ProUni, a
instituição só pode ser descredenciada após dois resultados ruins no Enade. Mas como cada área
é avaliada de três em três anos, há a
possibilidade de os cursos mal avaliados receberam alunos pelo ProUni
durante esse período.
“Como o ciclo
[avaliativo] foi iniciado com uma portaria em fevereiro de
2007, ele precisa se completar. Essa exigência de qualidade na
educação superior ainda está passando por uma
transição, mas com um ou dois anos estará sendo
aplicada de maneira irreversível. Por enquanto, nós
trabalhamos nos limites do marco estabelecido pelo Poder Legislativo”, afirma a secretária de Ensino Superior do
ministério, Maria Paula Dallari Bucci.
Para o professor da
Universidade de São Paulo (USP) Romualdo Oliveira,
especialista em ensino superior, a lei que regula o programa é
falha por não apresentar nenhuma exigência de desempenho
mínimo dos cursos credenciados. Em troca da oferta de bolsas
integrais e parciais, as instituições privadas de ensino
recebem incentivos fiscais por parte do governo. Romualdo defende que o
acesso a cursos de má qualidade, por meio do ProUni, pode prejudicar o
futuro dos bolsistas.
“É uma contradição
porque o governo está financiando cursos de baixa qualidade, o
que provavelmente vai resultar em uma exclusão do aluno no
futuro em termos de mercado. Você protela o desemprego”,
avalia.
A secretária Maria Paula ressalta que as bolsas adicionais que não recebem
contrapartida do governo, previstas em portaria do MEC, não
podem ser oferecidas por cursos de nota 1 e 2. “A leitura que deve
ser feita não é a de que vamos esperar dois ciclos
avaliativos de braços cruzados. Ao longo desse tempo, todas as
medidas previstas na lei já estão sendo implementadas.
Os cursos estão sendo chamados para assumir termos de
saneamento e, em alguns casos, com corte de vagas. A exigência de
qualidade virá por todos os instrumentos e todas as
oportunidades que a lei faculta”, justifica Maria Paula.
Na opinião do
professor Oliveira, sem uma cláusula de barreira para garantir a
qualidade do ensino oferecido aos alunos, o programa “vende gato
por lebre”. “Eu tenho uma crítica ao próprio
programa, não acho que seja uma alternativa de viabilização
de acesso ao ensino superior justamente porque subsidia cursos de má
qualidade. Seria mais eficiente usar esses recursos para a expansão
do ensino superior público, porque nesse há garantia de
uma boa educação”, defende.
A secretária recomenda aos candidatos de bolsas no
ProUni que procurem saber mais sobre a qualidade do curso antes de se
inscrever. "Já que a questão econômica está equacionada, o bolsista,
ao fazer a sua escolha, não precisa escolher o curso olhando se ele
poderá ou não pagar a mensalidade. Ele deve observar se o curso atende
à demanda dele e se é qualificado, se informar para saber se aquele é um bom curso, porque é a formação dele que está em jogo", indica.
Desde a criação
do ProUni, em 2005, já foram distribuídas mais de 430
mil bolsas. Para concorrer, o aluno precisa ter cursado todo o ensino
médio em escola pública. As bolsas parciais, que
custeiam 50% do valor da mensalidade, podem ser pleitadas por
estudantes cuja renda per capita familiar é de até
três salários mínimos. Já as bolsas
integrais são restritas a alunos com renda familiar de até
um salário mínimo e meio por pessoa.
Na
última
edição do programa, cujas inscrições encerraram-se na segunda-feira
(15) da semana passada, foram oferecidas 56 mil bolsas. A uma semana do
término das inscrições, os candidatos
passavam de 320 mil.
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