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Brasília - Os
estados que ajuizaram a ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra
dispositivos da lei que define novas regras para o magistério
e unifica no país a remuneração inicial dos
professores de escolas públicas da educação
básica em R$ 950 buscaram ajustes orçamentários
para garantir o cumprimento de parte da lei que entrou em vigor em 1º
de janeiro.
Em 17 de dezembro, os
ministros do STF decidiram na análise de liminar que não
haverá prazo para que as gratificações possam
valer como parte do piso, ou seja, será preciso aguardar o
julgamento de mérito da questão. A lei questionada
permite que até 31 de dezembro deste ano o piso incorpore
vantagens pecuniárias, numa espécie de período
de maturação para os estados. Os ministros suspenderam
ainda o aumento do tempo de planejamento de aulas para um terço da carga
horária de trabalho do professor, também previsto na
nova lei.
Com as ressalvas feitas
pelo STF, o impacto do novo piso nas finanças do Rio Grande do
Sul, por exemplo, foi baixo – em torno de R$ 11 mil por mês na
folha de pagamento. Isso porque, segundo a Secretaria da Educação do estado, 99% dos professores do estado já
recebiam acima de R$ 950, considerados os adicionais e
gratificações.
Entretanto, cerca de
800 professores gaúchos que recebem entre R$ 862,80 ( piso
estadual) e R$ 950 não terão aumento imediato. Eles
precisam aguardar a votação de um projeto de lei na
Assembléia Legislativa que autoriza o aumento do piso estadual
para R$ 950, com previsão de pagamento retroativo a
janeiro.
A expectativa do
governo do Rio Grande do Sul é de que o STF não
mantenha a lei federal em sua integralidade no julgamento de mérito.
A prevalecer o texto original da norma, o impacto no orçamento
estadual seria R$ 1,5 bilhão anuais a partir de 2010, quando as vantagens pecuniárias passariam a ser calculadas
tendo o valor de R$ 950 como vencimento básico.
A eventual manutenção
do aumento do tempo de planejamento de aulas para um terço da carga
horária implicaria ainda, informa a secretaria, a contratação
de mais 27 mil professores, para a qual não haveria recursos.
O orçamento do governo estadual para a educação
em 2008 foi de R$ 3,7 bilhões, com R$ 3,2 bilhões
destes comprometidos com o pagamento de pessoal.
Outro estado contrário
à lei federal, Mato Grosso do Sul, promoveu ajustes
financeiros para colocar em vigor neste mês piso de R$
972. Segundo a assessoria de imprensa do governo, o salário
dos professores deve ficar, por enquanto, em torno de R$ 1.400, somadas
algumas vantagens. Em novembro de 2008, o governador André Puccinelli reiterou sua oposição à
classificação do piso como vencimento básico e ao aumento do tempo de planejamento de aulas para um terço da carga
horária de trabalho do professor. Ele chegou a mencionar que seria "vadiagem" deixar os professores mais tempo longe das salas de aula.
Além
de Mato grosso do Sul e Rio Grande do Sul, questionaram a lei do piso
no STF os estados do Paraná, Santa Catarina e Ceará.
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