Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Brasília - O embaixador da Autoridade Nacional Palestina no Brasil, Ibrahim Al Zeben, garante que povo palestino não vai se render diante da ofensiva de Israel sobre a Faixa de Gaza. Em entrevista à Agência Brasil, Al Zeben aponta a negociação como a saída para pacificar a região
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Brasília - O embaixador da
Autoridade Palestina no Brasil, Ibrahim Al Zeben, disse hoje (5) que
não haverá rendição do povo palestino
diante da ofensiva israelense sobre a Faixa de Gaza, que ocorre mais
efetivamente, por terra, desde o último sábado (3).
“A
única maneira para solucionar o conflito é negociar.
Não negociar só com bombas. Isso não é
negociação, é rendição. E nosso
povo não vai se render”, disse o embaixador que nasceu na
Jordânia e está no Brasil há seis meses. Al Zeben
já representou a Palestina em Cuba e na Colômbia.
Em entrevista à Agência Brasil, Al Zeben ressaltou que
Israel deve ser levada a julgamento internacional por crimes de
guerra e por desrespeito aos tratados internacionais.
“Essa
ofensiva não é contra Gaza, contra o Hamas, contra os palestinos. É contra o direito
internacional. A quantidade de civis, de escolas, de santuários
destruídos é uma ofensa contra o direito internacional,
contra a convenção de Genebra que protege os civis, o patrimônio. Israel deve ser condenada nesse caso.
Devemos promover uma campanha séria, real, que ponha um fim às
atitudes agressivas, que podem ser catalogadas como crime nessa
guerra”, destacou.
O embaixador destacou ainda
que a comunidade palestina deve agradecer ao governo brasileiro pelo
esforço que vem sendo feito no sentido de intermediar uma
solução para o conflito.
“O Brasil tem tido um papel
importante. Estamos em um mundo no qual as distâncias
geográficas não definem muita coisa”, disse.
Ele
corroborou a avaliação feita pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva na semana passada sobre o poder de veto dos Estados
Unidos no Conselho de Segurança das Organizações
das Nações Unidas (ONU) que estaria "protegendo Israel ao
logo de 60 anos”.
O Brasil, por meio do
Ministério das Relações Exteriores vem
trabalhando na organização de uma reunião
emergencial para discutir propostas para o fim dos ataques de Israel
na Faixa de Gaza.
Na semana passada, o ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, conversou com autoridades de outros países,
inclusive com a secretária de Estado norte-americana,
Condoleezza Rice sobre a proposta. No entanto, de acordo com o Itamaraty, ainda não
há previsão de data, nem de local para a
reunião.
“Toda comunidade
internacional está fazendo um esforço para que Israel
respeite a convenção de Genebra, mas Israel não
está cumprindo. Quando o assunto chega à ONU, os
Estados Unidos usam o direto de veto. Como Israel sabe que ninguém
pode tomar uma resolução contra suas atitudes e
agressões, segue mantendo essa atitude. São agressões
sucessivas, durante 60 anos. Isso porque é protegida perante o
direito internacional”, considerou.
O embaixador disse que
tem esperanças em uma mudança de comportamento dos
Estados Unidos após a posse do presidente eleito Barack Obama.
“Estamos há 60 anos com a esperança de que os Estado Unidos mudem sua atitude. O senhor Obama pode
fazer muitas ações de mudanças pelo bem da
humanidade. Está na sua mão obrigar todo mundo a
cumprir o direito internacional”, destacou.“Nós não
queremos ver mais sangue derramado, nem de israelense, nem de
palestino, nem de ninguém”, completou.
Al Zeben considerou que
a Autoridade Palestina já fez o que podia para promover a paz
na região. “Já estendemos nossa mão.
Os árabes fizeram o mesmo. Apresentamos uma iniciativa bem
clara: paz em troca do cumprimento dos diretos internacionais. Israel
se retira dos territórios palestinos ocupados e,
imediatamente, se estabelecem relações normais, com o
estado de Israel” destacou.
O embaixador afirmou
que o povo palestino já cedeu tudo o que podia em termos de território.“Nós já cedemos. Nós
cedemos os 78% do nosso território. Israel está
edificado em 78% do território palestino. Antes de 1948 não
existia. A partir de 1948 eles se constituíram e nós já aceitamos isso. O problema é que Israel
não aceita que os 22% que sobraram fique com os palestinos.
Por isso, constrói muros, faz guerras”, considerou.
Al Zeben ainda
considerou que tanto o Hamas, quanto o Fatah estão em sintonia
com o povo palestino e não condenou a atitude do grupo Hamas
de lançar foguetes contra Israel, fator, que segundo ele, é
utilizado apenas como pretexto para a “desproporcional” ofensiva
israelense.
“É só
um pretexto. A ofensiva não é proporcional aos
foguetes lançados pelo Hamas. Israel estava
planejando atacar Gaza desde o fim da Guerra do sul do Líbano.
Não é uma ação repentina. É
preciso ter punição para que se cumpra o direito
internacional. Os responsáveis por essa chacina e por outras
contra o povo palestino devem ser levados à Justiça
Internacional. Israel deve se retirar de Gaza. Temos mais de 500
mortos e mais de 2,5 mil feridos”, comentou.
O embaixador destacou
que o primeiro ponto da negociação deve ser no sentido
de parar a ofensiva e depois de garantir ajuda aos
atingidos. “Nosso objetivo número um é fazer parar
essa agressão imediatamente para que não morram mais
pessoas no território. Em segundo lugar, precisamos de ajuda
humanitária”, apelou.