|
Brasília - Para o diretor de Produção
do Combustível Nuclear das Indústrias Nucleares do
Brasil (INB), Samuel Fayad Filho, a “plenitude
industrial” na fabricação de urânio enriquecido, que será alcançada a partir de fevereiro, “vai agregar valor" ao minério dando ao país, um grande diferencial.
“Possuímos uma grande reserva de urânio
e se um dia quisermos exportar, venderemos o produto com valor
agregado máximo porque nós já dominamos todo o
processo industrial”, projeta o diretor.
O enriquecimento do urânio constitui a separação de partículas do
chamado urânio natural e o aumento das partículas que
produzem energia, tranformando-o em urânio 235. O ciclo do combustível é
iniciado com beneficiamento do urânio (retirado de Caetité,
na Bahia) tornando-o um concentrado (uma pasta
amarela conhecida como “yellow cake”). Até hoje, a
produção no Brasil se limita a essa etapa.
O
concentrado de urânio é transformado, no Canadá,
em gás (chamado “UF6”), que é enviado a um
consórcio de empresas anglo-germânico-holandês
onde as partículas de urânio são separadas por
meio de processamento em ultracentrífugas.
Após
o enriquecimento, o gás é reenviado ao Brasil e
transformado em pó que será comprimido em pastilhas
para alimentação dos tubos de combustível dos
reatores nucleares onde gerará energia térmica e,
posteriormente, energia elétrica.
Conforme Samuel
Fayad Filho, há previsão de construção de
uma nova fábrica de equipamentos para ultracentrifugação
até 2015, o que permitirá o aumento da produção
de urânio enriquecido, inclusive para abastecer a usina
projetada de Angra III.
O Brasil extrai e beneficia 390
toneladas de urânio ao ano e é considerado a sexta maior
reserva do minério no mundo. Nos próximos anos, uma
nova mina deverá ser explorada em Santa Quitéria (CE).
A energia nuclear equivale a 2% da matriz energética
brasileira.
|
|