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Brasília - A área social deve ser uma das novas frentes de
cooperação entre Brasil e Estados Unidos durante o governo de Barack
Obama. A expectativa se deve ao histórico da substituta de Condoleezza
Rice no cargo de secretária de Estado norte-americana, a ex-primeira
dama Hillary Clinton.
“Ela se preocupa com o combate à pobreza e
com a promoção do progresso social, esse é um tema que poderá surgir na
agenda com maior ênfase do que tem sido no passado”, avaliou o
embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota, em entrevista
exclusiva à Agência Brasil.
O embaixador afirma que há um
reconhecimento, pelo Executivo e pelo Legislativo dos Estados Unidos,
da influência regional e global exercida pelo Brasil. Isso se reflete
em uma ampla pauta de diálogo bilateral. “Temos uma agenda que se
concentra tanto em aspectos bilaterais quanto em iniciativas regionais.
Há diálogos no plano das relações políticas sobre questões como o Haiti, onde o Brasil está com tropas e comanda a missão de
estabilização das Nações Unidas”, acrescenta.
Como
temas de interesse bilateral, Patriota cita o memorando de entendimento sobre
biocombustíveis e a iniciativa conjunta na promoção da igualdade. Em março
do ano passado, durante visita da secretária de Estado norte-americana,
Condoleezza Rice, ao Brasil, foi firmado acordo estabelecendo a criação
de um grupo diretor para analisar formas de cooperação na promoção da
igualdade de oportunidades.
Em nível de cooperação regional,
Patriota menciona a parceria para disseminar o uso de biocombustíveis
em algumas economias do Caribe e da América Central. Em março
do ano passado, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
aos Estados Unidos, foram definidos quatro países para a realização de
projetos-piloto na produção de biocombustíveis: Haiti, República
Dominicana, São Cristóvão e Nevis e El Salvador. Na ocasião, Lula e o
presidente George W. Bush também se comprometeram a cooperar na
erradicação da malária em São Tomé e Príncipe e no combate à malária, à
tuberculose e a outras doenças em países africanos de língua portuguesa,
como Angola e Moçambique.
Mas foi no âmbito político que as
relações mais avançaram, sobretudo no segundo mandato do presidente
Bush, avalia o embaixador. “Hoje em dia existem diálogos específicos
sobre África, Oriente Médio e outras questões internacionais. Tudo isso
continuará existindo”, ressalta.
Patriota também cita os números
do comércio bilateral. Lembra que as exportações do Brasil para os Estados
Unidos dobraram nos últimos sete anos - saltaram de US$ 14,2 bilhões em
2001 para US$ 27,4 bilhões em 2008. Já as importações passaram de US$
12,9 bilhões para US$ 25,6 bilhões. Os Estados Unidos são o principal
parceiro comercial do Brasil. “O comércio bilateral alcançou em 2008 a
cifra sem precedentes de US$ 53 milhões e ainda temos um pequeno
superávit, continuamos sendo destino de investimentos importantes
norte-americanos e cada vez mais empresas brasileiras investem nos
Estados Unidos, como Petrobras, Gerdau, Odebrecht e Embraer”, diz o
embaixador.
Ele lembra ainda que em 2007 foi criado um fórum de
diálogo de parceria econômica, que vem identificando novas oportunidades
de parceria. “A relação econômico-comercial está saudável, mas é claro
que pode sempre melhorar”, avalia, citando como exemplo a tarifa
cobrada sobre o etanol brasileiro. Em termos globais,
Patriota acredita que a eleição de Obama abre a possibilidade de que
novos temas sejam tratados no âmbito da Organização das Nações Unidas
(ONU), como o combate à fome e à pobreza, a mudança do clima e
o aprimoramento das operações de paz. “Sabemos que a administração Bush
não se caracterizou por uma valorização especial do multilateralismo,
mas a administração Obama já entra com sinalizações muito claras de que
deseja se reengajar na cooperação internacional nas Nações Unidas e em
outros fóruns”, pondera.
O embaixador também acredita em
avanços no processo de reforma das Nações Unidas. Sinal nesse sentido
foi o tema deixar de ser tratado por um grupo de trabalho específico,
onde dependia de consenso e por isso não avançava, para ser debatido
pela Assembléia Geral, onde bastam dois terços para aprovação de qualquer matéria.
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