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Três Rios (RJ) - O meio de transporte
usado por Rafael Nascimento Santos, 22 anos, é a bicicleta. É
sobre duas rodas que ele chega ao emprego em uma fábrica
de telhas de metal. Mesmo com a expansão industrial ocorrida a
partir de 2003, Três Rios ainda tem vida pacata, o que
permite a uma parte da população ir de bicicleta para o trabalho.
Há um ano e
meio, Rafael trabalha como operador de ponte rolante, uma espécie
de guindaste que se move sobre um eixo para transportar cargas. Ele é
um dos mais de 3 mil moradores de Três Rios empregados pela
recente onda de industrialização no município.
Rafael estava
desempregado quando foi contratado há um ano e meio por uma
indústria instalada no município. O
operário precisou ser capacitado para operar o máquina
e diz que isso lhe trouxe boas alternativas profissionais.
“Essas empresas são
boas para as pessoas que estão correndo atrás de
emprego. Isso gera mais possibilidade de a pessoa trabalhar e até
aprender uma profissão, como foi meu caso. Como fiz esse curso
de operação de ponte rolante, ainda tenho chance de
arrumar um emprego melhor fora daqui nessa área”, disse o
operador de máquina.
A exemplo de Rafael,
João Carlos Rodrigues Fernandes, 29 anos, foi contratado por
uma indústria do ramo químico há oito meses. Em
cima da bicicleta que também usa para ir ao emprego, ele
contou à Agência Brasil que
viu na empresa instalada recentemente uma oportunidade de
crescer profissionalmente.
“Essas empresas [que
chegaram a Três Rios] dão mais oportunidade para o
funcionário crescer profissionalmente. Eu estou lá há
pouco tempo, mas espero crescer dentro dela”, comentou.
A líder
comunitária Jeanete do Carmo Aguiar, presidente do Conselho
Municipal de Associações de Moradores de Três
Rios, aposta na industrialização para reverter as taxas
de desemprego do município, consideradas altas por ela. “Nossa
expectativa é de que pelo menos 50% desses desempregados possam
ter alguma coisa para fazer nessas empresas. A gente precisa muito de
emprego aqui.”
O fantasma do
desemprego é algo que ainda assombra os moradores de Três
Rios. Afinal, não faz muito tempo que a economia da cidade
passou por um longo período de decadência, muito pior do
que o cenário criado hoje pela crise econômica mundial.
Há 20 anos,
Três Rios tinha sua economia dependente basicamente de uma
única indústria, a fabricante de vagões
ferroviários Santa Matilde, uma das principais empresas do
setor no Brasil. Depois de enfrentar dificuldades durante a década
de 80, a indústria teve que fechar as portas em meados dos
anos 90.
Com a falência da
empresa, que empregava mais de 4 mil pessoas, o município
entrou em colapso. Mas não foi só isso. Logo após
a falência da Santa Matilde, outras duas grandes indústrias
da cidade também fecharam. Naquele período, as obras da
BR-040 chegavam ao fim, e o canteiro, que funcionava na cidade,
também teve que ser desmontado.
“Realmente, a cidade
passou por um momento bem difícil. E o comércio ficou
até 2003 e 2004 como sendo a principal atividade econômica
da cidade”, conta o secretário municipal de Indústria
e Comércio, Júlio César Freitas.
Talvez por isso Valter
Ferreira Filho, outro líder comunitário que já
foi funcionário da Santa Matilde, defenda as novas indústrias.
“Três Rios está de vento em popa. É disso que
estamos precisando. As pessoas falam: ‘mas nós vamos sofrer
com outras coisas’. Podem até ocorrer impactos negativos,
mas isso faz parte do crescimento. Três Rios é uma
cidade preparada até porque já tem um passado
industrial.”
Apesar de ver a chegada
das novas empresas como uma fonte de criação de
empregos, a líder comunitária Jeanete Aguiar tem receios. “O meu medo é que haja uma explosão
demográfica, com muita gente de fora vindo para Três
Rios. Mas, desde que elas venham com bom senso e cordialidade, vamos
abraçar essas pessoas.”
Um dos desafios da cidade é preparar a mão-de-obra local para não ter
que atrair trabalhadores de outras regiões do estado. Essa
tarefa é responsabilidade do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial (Senai), coordenado pela Federação
das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
“Neste momento, há
300 alunos sendo capacitados aqui em Três Rios. Quando
recebemos uma empresa nova, informamos aos alunos as oportunidades
que ela está abrindo e quais são as demandas futuras de
profissionalização. Temos, por exemplo, alunos da área
de elétrica que sabem que no final de 2009 virá uma
empresa que precisará de operadores de empilhadeira. Então,
eles fazem o curso de empilhadeira, porque querem se colocar no mercado”,
afirma a gerente local da Firjan, Dannielle Pereira.
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