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Três Rios (RJ) - A industrialização
acelerada de uma cidade pequena como Três Rios, no centro-sul
fluminense, precisa ser vista com cautela pelos gestores públicos.
O alerta é do especialista em economia fluminense e
pesquisador do Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e
Regional (Ippur) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Jorge
Natal.
Segundo ele, antes de
estimular uma industrialização acelerada, é
preciso que o município avalie a relação
custo/benefício desse desenvolvimento. Ou seja, é
necessário que se reflita sobre o que será sacrificado
para promover o crescimento econômico do município. Tal equação tem de ser especialmente levada em consideração quando
se trata de atração de indústrias por meio de
incentivos fiscais temporários, como é o caso de Três
Rios, que tem isenções e reduções de
impostos por tempos determinados.
“Não
necessariamente a relação custo/benefício da
atração dessa empresa é favorável ao
município. Ele oferece incentivos fiscais e serviços de
infra-estrutura e não necessariamente a empresa permanece no
local depois do término do prazo para o incentivo. Elas podem
até deixar o local. As grandes empresas têm uma
capacidade muito grande de se movimentar no território”,
afirma Natal.
Além de as
empresas usufruírem de benefícios sem dar o retorno
esperado para o município, há ainda riscos como
problemas ambientais e crescimento desordenado da cidade. “Ao
mesmo tempo em que levam riqueza e dinamismo econômico, elas
também causam uma série de problemas, como favelização,
excesso de lixo e criminalidade”, explica. O pesquisador cita o
exemplo de Macaé, capital da produção
petrolífera do Brasil, no norte fluminense. Natal considera
a cidade como paradigma de desenvolvimento econômico
acelerado que resultou em um crescimento urbano desordenado.
“Macaé era, há
30 ou 40 anos, um balneário calminho. A Macaé de hoje
não tem nada da Macaé de 40 anos atrás. O
trânsito é um problema gravíssimo. Houve um
processo de especulação imobiliária
violentíssimo, com expulsão de população
para áreas mais periféricas. E quando há esse
deslocamento, o conjunto da sociedade tem que arcar com saneamento
básico, com água, esgoto, luz, asfalto, escolas etc”,
afirma.
Segundo o especialista,
os gestores públicos deveriam se preocupar sobre possíveis
impactos que um crescimento acelerado pode provocar em Três
Rios. Para ele, é necessário que se invista num
planejamento urbano, para evitar que uma situação como
a de Macaé se repita na cidade do centro-sul fluminense.
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