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Brasília - Nos
últimos 12 meses, o país economizou R$ 370 milhões
com o uso de sistemas operacionais, navegadores da internet,
correios eletrônicos e softwares livres com diversas
finalidades. O cálculo é do Serviço Federal
de Processamento de Dados (Serpro), vinculado ao Ministério da
Fazenda.
O valor equivale ao dobro dos investimentos feitos no desenvolvimento
dos programas da declaração do Imposto de Renda Pessoa
Física e de consulta ao Sistema Integrado de Administração
Financeira (Siafi), ou cerca de um quarto do orçamento anual
do Serpro, considerado o maior serviço de processamento de
dados da América Latina.
De acordo com o presidente do
Serpro, Marcus Vinicius Ferreira Mazoni, os efeitos vão além
dessa cifra e o valor economizado é ainda maior, se forem
considerados o dinheiro que deixou de ser gasto com a manutenção
de programas fornecidos, os totais poupados com o uso de programas
feitos sob medida e a dispensa de aquisição de licenças
para novas redes.
“A economia representa a viabilização
de projetos que não seriam possíveis”, diz Mazoni,
citando a instalação e funcionamento de mais de 5 mil
telecentros em todo o país. Segundo ele, em cada unidade
dessas seria necessário adquirir licenças particulares
para cada editor de texto, por exemplo.
Na avaliação
do presidente do Serpro, os valores economizados vão crescer
nos próximos anos. Atualmente todos os órgãos do
governo federal têm alguma experiência com software
livre, mas apenas 40% tem todo o seu funcionamento até o
usuário final baseado nesses programas.
“Isso é
exponencial”, projeta Marcus Vinicius Mazoni. “Conforme vão
sendo verificados os resultados positivos da tecnologia livre, o uso
aumenta fortemente”, afirma o presidente do Serpro. Segundo ele, a
tecnologia, além de mais barata, é superior por sua
adaptabilidade.
“Quem já viveu a experiencia de ter
que trocar a máquina por conta da mudança de
software?”, pergunta. “No mundo do software livre,
podemos fazer essa opção. Podemos continuar melhorando,
mas conhecendo o tamanho da máquina, fazendo com o novo
programa fique do seu tamanho”, garante.
Além da
economia de gastos e da plasticidade dos softwares livres,
Mazoni assinala que o país se beneficia com o uso de sistemas
que sobre os quais tem total controle do desenvolvimento de códigos.
De acordo com ele, o governo não depende de fornecedores
privados (geralmente multinacionais) para suas múltiplas
plataformas eletrônicas.
No próximo dia 15, o
Serpro tornará acessível para órgãos
públicos, empresas e usuários particulares uma nova
plataforma de desenvolvimento de programas chamada “Demoiselle”
(do francês senhorita), em homenagem a Santos Dumont, que, em
1907, deixou livre a patente do avião homônimo que
projetou.
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