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Brasília - Uma auditoria realizada entre os meses de junho e novembro de 2008 pelo Tribunal de Contas da União
(TCU) constatou irregularidades no Programa Universidade para Todos
(ProUni). O programa oferece bolsas integrais e parciais em
instituições privadas de ensino superior a estudantes
de baixa renda. Em contrapartida, as faculdades recebem isenções
fiscais. Segundo relatório divulgado hoje (23) pelo TCU, foram
identificadas falhas na comprovação e na fiscalização
da renda dos alunos beneficiados.
Com o cruzamento
de dados do ProUni, da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Registro Nacional de
Veículos Automotores (Renavam), a auditoria detectou bolsistas com renda pessoal superior a R$ 200 mil por ano. O relatório
aponta ainda 1,7 mil estudantes com carros de luxo registrados em seu
nome. A auditoria também mostra que a apresentação de
documentos é falha. Em muitos casos faltam comprovante de
renda, de residência e de renda familiar.
Para o ministro da
Educação, Fernando Haddad, a malha fina do TCU tem
problemas. “Depois de dois ou três anos que o aluno ingressa
no ProUni ele consegue um emprego, encontra um estágio,
a vida dele muda. Não é possível que o TCU
esteja sugerindo que esse aluno seja desligado do programa porque o
objetivo do programa é justamente mudar a vida do estudante.”
Outra falha apontada
pelo relatório está na fiscalização das
instituições de ensino participantes do ProUni. De
acordo com o TCU, as instituições têm isenção
fiscal mesmo quando todas as vagas
destinadas ao programa não são ocupadas. Segundo o relatório, no exercício
de 2006, a isenção fiscal referente ao ProUni alcançou
R$ 1,2 bilhão. Enquanto isso, o percentual de vagas não-preenchidas chegou a 42% em 2008.
Além do programa
de bolsas, a auditoria abrangeu o Fundo de
Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Segundo o TCU, os cursos das
áreas tecnológica e social, considerados
prioritários por terem poucos profissionais em atuação, têm baixa procura pelo alunos beneficiados. O tribunal sugere que os
dois programas sejam combinados para ampliar as oportunidades de
acesso dos alunos.
O TCU determinou ao MEC
que faça um controle melhor dos alunos beneficiários do
ProUni e que a Secretária de Educação Superior
(Sesu/MEC) implemente mecanismos para o preenchimento total das vagas
ofertadas pelo programa. O tribunal também recomendou que o
ministério reavalie a concessão
da isenção fiscal dada as instituições de
ensino.
Foi recomendado ainda que a Sesu incentive os estudantes a
fazer os cursos das áreas tecnológica e social. Outra
medida proposta é a coleta do número de CPF dos
parentes dos candidatos a uma bolsa, para uma aferição
precisa da renda familiar.
Segundo Haddad, os
casos “flagrantes” precisam ser apurados um a um. “As
instituições já receberam ofício para chamar o
estudante para que ele preste contas dessas informações.
Como é a primeira grande auditoria que se faz é natural
que identifiquemos problemas que possam ser superados com a ajuda
inclusive com os órgãos de controle”, disse o ministro.
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