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Brasília - Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou falta de controle e falhas de segurança no cadastramento de beneficiários do Bolsa Família. Nas contas do
tribunal, os problemas de cadastramento podem ter gerado um prejuízo
de R$ 318 milhões por ano (R$ 26 milhões por mês). O relatório
do TCU com de cerca de 120 páginas traz mais de 60
recomendações para o funcionamento do
programa.
De acordo com o documento, o Cadastro Único dos
Programas Sociais (CadÚnico) utilizado pelo governo federal é
inconsistente quanto aos dados de renda e patrimônio, tem
problemas na identificação dos responsáveis
familiares e erro no cálculo de valores pagos nos benefícios.
O TCU determinou que seja averiguado se não há
pagamentos irregulares e que o MDS renegocie o contrato com a Caixa
Econômica Federal que efetua o pagamento dos benefícios.
Na
avaliação do ministro Augusto Nardes, relator da
auditoria feita por seis servidores do TCU, os problemas foram
verificados porque “não está sendo cumprindo o que
determina a lei, especialmente em relação à
revisão do cadastro de dois em dois anos”. Para o ministro,
“se houvesse checagem por parte do MDS, acho que nós não
teríamos esses números”, avalia.
Entre os problemas, Nardes aponta que 83 mil famílias
cadastradas possuem renda per capita superior a ½ salário
mínimo (faixa limite do programa); e há 299 mil pessoas
com indício de falecimento para as quais ainda é pago o
benefício.
Além desses problemas, a auditoria
verificou que entre os beneficiários do Bolsa Família,
40 mil pessoas se candidataram nas últimas eleições
(577 eleitos). De acordo com cruzamento de dados de registro de veículos,
106 mil beneficiários são proprietários
de automóveis ou motos. Segundo Nardes, há até o
caso de uma pessoa que tem sete caminhões (avaliados em R$ 156
mil). “As fraudes existem por falta de fiscalização”,
critica.
O Ministério do
Desenvolvimento Social (MDS) divulgou nota contestando o relatório. Segundo o ministério, vários problemas
identificados já foram resolvidos ou têm solução
encaminhada.
“As falhas apontadas dentro do universo do programa
são poucas”, disse Letícia Bartolo, diretora do
CadÚnico da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania
(Senarc), ligada ao ministério. Para ela, “os problemas são
marginais”.
A diretora informa que a transparência e o controle
do programa foram reconhecidas no relatório e que o MDS foi elogiado até pelo procurador-geral do TCU,
Lucas Rocha Furtado, que assina o documentoo.
O MDS, no
entanto, discorda da avaliação do órgão
de controle e promete recorrer contra duas determinações
do Tribunal de Contas da União. Segundo a diretora, o TCU quer que o MDS desligue
adolescentes do programa assim que completarem a idade limite (15
anos e 17 anos a depender do programa).
Letícia afirma que o ministério opta por fazer o desligamento somente
ao final do ano, para que o beneficiário não seja prejudicado durante o ano letivo e não interrompa os estudos.
Perguntado pela reportagem da Agência Brasil, o ministro
Augusto Nardes se manifestou favorável à extensão do
benefício.
A diretora também afirma que não é necessário
interromper o cadastramento de pessoas que não
estejam na faixa de renda dos beneficiários do programa, como quer o TCU. “A
inscrição de pessoas que ganham acima de ½ salário
mínimo não impacta negativamente nenhum programa
social. Na verdade, isso agrega informações de mais
pessoas e possibilita que outros programas sociais utilizem o
cadastro único. Isso não causa nenhum erro de
focalização”, assegura.
Segundo ela, a lei “abre espaço para
que sejam cadastradas famílias com rendimento superior a esse
definido desde que seja para seleção, implementação
ou acompanhamento de programas sociais. O objetivo do cadastro único
é ser uma base de cadastramento de beneficiários de
programas sociais, mas também uma base de integração
de políticas públicas”, explica.
O MDS também
afirmou que os dados da CadÚnico são
atualizados periodicamente. Além disso, a base de dados passa por cruzamentos com as informações
de outros sistemas (Previdência Social, Sistema Nacional de
Óbitos, Relação de Informações
Sociais) o que já permitiu apuração do cadastro
e o cancelamento de milhares de benefícios pagos
incorretamente.
Letícia Bartolo afirma que a partir de
agosto um novo sistema aplicativo será usado para inscrição
e registro eletrônico das famílias. O aplicativo com
base em software livre está sendo desenvolvido pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e pela Caixa
Econômica Federal.
No ano passado, de acordo com o site
Contas Abertas, o programa Bolsa Família pagou R$ 10,966
bilhões. Até 30 de abril há registro de R$ 3,540
bilhões. A lista de beneficiários está
disponível na internet no endereço:
http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/o_programa_bolsa_familia/lista-de-beneficiarios
De acordo com o site do MDS, o
Bolsa Família é um programa de transferência
direta de renda com condicionalidades e atende mais de 11 milhões
de famílias em todos os municípios brasileiros. O programa do governo federal beneficia
famílias em situação de extrema pobreza (com
renda mensal per capita de até R$ 69) e de pobreza (com
renda mensal per capita de R$ 69,01 a R$ 137).
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