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Brasília - A idade das crianças ainda é o principal entrave nos processos de adoção, segundo o vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Francisco Oliveira Neto. Dos 17.985 cadastrados no país, 70% só aceitam adotar crianças
com, no máximo, 3 anos de idade. Entretanto, das 2.583 crianças
que aguardam adoção, apenas 7% têm menos de 3 anos.
De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por
mais que o número de pessoas habilitadas para adoção supere o
número de crianças aptas a serem adotadas, a maioria dos
pretendentes estabelece critérios
que dificultam o processo.
Além da idade, outro entrave é a adoção de crianças que têm irmãos. Segundo Neto,
83% dos pretendentes só aceitam adotar crianças sozinhas, porém,
no banco do cadastro, cerca de 35% dessas crianças possuem irmãos.
De acordo com dados do CNJ, cerca de 7 mil pessoas desejam adotar
crianças brancas, que são apenas 30% dos menores cadastrados.
“Por
isso, já é possível ver a grande diferença entre o que se
pretende e entre a criança disponível para adoção”, afirmou o magistrado em entrevista hoje (25), Dia Nacional da Adoção,
à Radio Nacional.
Para ele, é necessário que as pessoas repensem esses critérios
para que o processo seja bem sucedido.
O
Cadastro Nacional de Adoção do CNJ foi criado em abril de 2008 para
auxiliar os juízes das Varas da Infância e da Juventude na condução
dos processos. Para Neto, a ferramenta possibilita a
desburocratização do sistema de adoção.
Segundo
ele, antes do cadastro, o pretendente tinha que abrir o processo na
cidade em que reside, para depois levar as cópias às Varas da
Infância e da Juventude de outras cidades. “Hoje, não é
necessário fazer mais nada disso. Quando a pessoa faz a habilitação
na cidade de residência, ela pode ser consultada pelas 3 mil
Varas da Infância e da Juventude do país”, disse.
O
último balanço do CNJ indicou que São Paulo é o estado com maior
número de crianças cadastradas. No estado há 5.863 pretendentes e 1.102
crianças aguardando por adoção. O Paraná ocupa a segunda
posição com 3.154 pretendentes para 296 crianças e em terceiro
está Minas Gerais, com 2.341 pretendentes para 254 crianças. O
Distrito Federal é a unidade da federação onde a relação é mais
equilibrada, são 182 crianças aptas à adoção para 414
pretendentes.
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