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Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, foi
surpreendido com vaias e gritos de “Fora Gilmar” ao deixar a audiência
pública da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A
manifestação foi organizada por estudantes do movimento “Saia às Ruas”,
criado depois que o ministro Joaquim Barbosa, em uma discussão com Gilmar
Mendes, no plenário do STF, afirmou que ele deveria ir às ruas para
ouvir a opinião pública.
A manifestação surpreendeu o presidente
do Supremo e, também, a Polícia Legislativa do Senado, que retirou os
estudantes das dependências do Senado. Perguntado se a manifestação
tinha lhe incomodado, Gilmar Mendes limitou-se a dizer: “Nem um
pouco”.
Momento depois, antes de entrar no elevador privativo, o
presidente do STF parou para uma rápida entrevista. que foi interrompida
por novos gritos de “Fora Gilmar”. Desta vez, a manifestação partiu de
representantes da Confederação Nacional das Associações de Servidores
do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
“O
Gilmar não está honrando com as obrigações que tem como presidente do
Supremo Tribunal Federal. Ele tem agido de forma parcial e isso
extrapola prerrogativas de qualquer magistrado”, afirmou José Vaz
Parente, diretor da confederação.
Ainda na audiência pública, que
debateu o projeto de lei que cria mecanismos de repressão contra o
crime organizado, Gilmar Mendes comentou a necessidade de isenção das
autoridades responsáveis pela formulação e julgamento das leis.
“Estamos
em uma democracia representativa. Vocês [senadores] têm que aprovar
leis, que contrariam a opinião pública. Alguns imaginam que fazer jus é
atender às ruas, é atender a determinados segmentos. Temos uma
jurisprudência que diz que o clamor da opinião pública não justifica
prisão preventiva”, disse Gilmar Mendes.
Edição: Antonio Arrais
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