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Brasília - O presidente da Frente Parlamentar de Agropecuária, deputado Valdir
Colatto (PMDB-SC), apresentou esta semana, na Câmara dos Deputados, o texto que promete transformar toda a legislação ambiental brasileira
em um só documento, já chamado pelos ruralistas – autores do projeto de lei – de Código Ambiental. Além do
Código Florestal, o instrumento substituiria a Lei de Crimes
Ambientais, a Política Nacional do Meio Ambiente e as normas
que garantem à União a prerrogativa de criar unidades
de conservação, por exemplo.
Entre as mudanças,
está a extinção de penas de prisão para
crimes ambientais e outras que deverão acirrar ainda mais as
discussões sobre o tema, como a transferência para
os estados da responsabilidade de fixar o tamanho das áreas de
proteção permanente ao longo das margens de rios e a
concessão de licenciamento ambiental por decurso de prazo.
“O requerimento de
licença ou autorização ambiental, desde que tenha
apresentado toda a documentação necessária, terá
que ser respondido no prazo de até 60 dias após protocolado, sendo que o descumprimento deste prazo implica em
aprovação automática do contido no
requerimento”, cita o documento.
Atualmente, a área
de reserva legal – percentual mínimo de vegetação
nativa preservado – varia de 80%, na Amazônia, a 35%, no Cerrado, e
a 20%, na Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e Pantanal. A nova
proposta não fala em percentuais. Segundo o deputado Valdir
Colatto, os valores
seriam definidos pelos estados depois da realização dos
zoneamentos ecológico-econômicos.
“Não se pode
achar que só a União pode determinar [os percentuais mínimos]. Isso é a
máxima da ditadura”, afirmou Collato. “O Ibama não
tem capacidade para atender à demanda de projetos que esperam
licenciamento. Por isso, está engessado. Só em Santa
Catarina há 200 projetos de pequenas hidrelétricas
parados.”
A proposta ambiental da
bancada ruralista cita ainda a possibilidade de desmatamento de áreas
de reserva legal. Pelo Código Ambiental, o percentual mínimo
a ser preservado seria definido por estado e não por
propriedade. As atividades consolidadas nas atuais Áreas de
Preservação Permanente seriam mantidas, a não
ser que haja dano ao meio ambiente comprovado por laudo de técnico
habilitado.
O projeto também tira poderes do Conselho
Nacional do Meio Ambiente (Conama), que pela proposta, passaria
apenas a sugerir e não mais a decidir sobre mudanças
em normas ambientais. Ciente da polêmica que envolve a questão
ambiental, o deputado Colatto disse que serão realizadas
audiências públicas em todo o país para que a
sociedade possa conhecer o projeto, opinar e propor alterações.
Os ruralistas esperam
aprovar as mudanças até 11 de dezembro, data
em que volta a vigorar o Decreto 6.514, que trata das infrações
e sanções administrativas ao meio ambiente. “O
decreto propõe multas pesadíssimas e aí o país
inteiro estaria ilegal”, disse Colatto. Para ele, as cidades também
devem atender os requisitos exigidos dos produtores rurais.
No projeto, se fala na
remuneração de serviços ambientais, como a
preservação de uma área por um agricultor, por
exemplo. A compensação financeira dada ao produtor viria da
venda de crédito de carbono, do dinheiro de multas ambientais ou
de uma cobrança da população na forma de
contribuição ao meio ambiente. Para agilizar o
andamento das propostas, uma comissão especial pode ser criada
na Câmara dos Deputados.
Edição: Talita Cavalcante
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