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24 de Junho de 2009 - 15h04 -
Última modificação
em 24 de Junho de 2009 - 15h05
Haddad afirma que livro digital falado não tem objetivo de substituir braille
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
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Elza Fiúza/ABr
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Brasília - O ministro da Educação, Fernando Haddad e o deficiente visual Neno Henrique da Cunha Albernaz, após a apresentação da tecnologia desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) para a produção do livro digital falado
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Brasília - Ao
participar da cerimônia de lançamento do software
Mecdaisy – ferramenta que possibilita a produção de
livros digitais falados para deficientes visuais – o ministro da
Educação, Fernando Haddad, afirmou hoje (24) que o
objetivo não é substituir o braille.
O
programa – desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ) – tem como base o padrão Digital
Accessible Information System e possibilita que alunos com capacidade de visão reduzida ou cegueira tenham acesso gratuito a livros e
documentos. A tecnologia transforma texto escrito em áudio.
“Algumas
pessoas veem a tecnologia como uma ameaça, mas a
alfabetização em braille vai continuar. O que temos é
mais um parceiro. Quando se trata de educação
inclusiva, temos que pensar em somar e multiplicar e não em
subtrair e dividir”, afirmou o ministro.
Além
do áudio, o software
oferece a opção de impressão do material em
braille. Mas o diferencial, de acordo com o ministro, são
recursos de navegabilidade que permitem anotações e
marcações de texto a partir de movimentos de teclas de
atalhos ou do mouse. É
possível também mudar de
página.
De
acordo com o Ministério da Educação (MEC), foram investidos R$ 680 mil para criar o programa. A pasta vai destinar ainda R$ 180 mil a cada um dos 55
centros de produção. A ideia é
produzir os livros didáticos distribuídos às
escolas em formato acessível para deficientes visuais.
O material também vai integrar o
Acervo Digital Acessível, espaço virtual criado pela
Universidade de Brasília (UnB) para deficientes visuais.
Segundo a
secretária de Educação Especial do MEC, Cláudia
Dutra, todos os estados brasileiros aderiram
ao projeto do livro digital falado. O material, de acordo com ela, vai ser destinados à educação básica e ao ensino
superior. “Por muito tempo, perdurou a ideia do ensino e do
espaço diferenciados, mas os deficientes visuais querem acesso
pleno em espaços comuns”, afirmou.
Para
o estudante Neno Henrique da Cunha, o software permite 100% de interação com o deficiente
visual de maneira bastante simples. Ele perdeu a visão
quando tinha 23 anos, ao levar um tiro no rosto durante um assalto no Rio de Janeiro. Cunha disse que teve dificuldades para aprender o braille e
que o novo programa é
uma alternativa para pessoas que foram alfabetizadas quando ainda
enxergavam.
“Não
estou desmerecendo o braille. Ele tem o seu espaço e nunca vai
deixar de ser importante. O software é uma coisa a
mais, que vem facilitar o acesso à cultura e à
educação”, avaliou. Cunha participou dos testes
realizados para o desenvolvimento do Mecdaisy e é aluno de
mestrado da UFRJ.
O
estudante lembrou que outros programas de leitura voltados para
deficientes visuais ainda são limitados. Segundo ele, é preciso recorrer a outras pessoas para ler, por exemplo,
notas de rodapé e numeração de páginas.
O novo
programa pode ser acessado gratuitamente no endereço
eletrônico www.intervox.nce.ufrj.br/mecdaisy
e também no portal do Ministério da Educação.
Edição: Juliana Andrade
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