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Brasília - Parlamentares da
bancada ruralista fizeram hoje (24) duras críticas ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que foi à Câmara dar explicações por ter
chamado os grandes produtores rurais de vigaristas durante uma
manifestação de agriculturores familiares em maio. Os deputados
chegaram a pedir a demissão do ministro.
Minc, que na mesma
ocasião disse que os ruralistas “encolheram o rabinho de capeta"
para enganar os pequenos agricultores pediu desculpas aos
parlamentares e retirou as expressões que classificou como
“inadequadas e descabidas”.
No entanto o pedido de
desculpas não foi suficiente para acalmar os ânimos da bancada
ruralista. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) disse que Minc criou a
divergência com os produtores rurais para desviar a atenção da
falta de ações do Ministério do Meio Ambiente.
“Ele tem que
satanizar alguém para esconder a incompetência do ministério. Ele
é um ministro que não tem proposta para reconciliação com o meio
rural, que não tem como explicar Angra 2 e Angra 3, não tem como
explicar a contaminação de mananciais e por isso tem que penalizar
alguém e esse alguém é o produtor rural.”
Caiado disse que Minc
não pode tratar a legislação ambiental de forma seletiva para
punir mais severamente os grandes produtores. “Ele é um professor
de maniqueísmo. Só vê o preto e o branco. Ele é o bem e o
produtor rural é o mal”, acrescentou.
O deputado Giovanni
Queiróz (PDT-PA) disse que Minc envergonha o país e que os
ruralistas só seriam devidamente retratados pelas declarações do
ministro se o presidente Lula o afastasse do cargo. “Que vergonha o
país ter um ministro que diz o que não pensa. O verdadeiro
vigarista é o que tapeia, engana e fala demais. O senhor deveria
sair daqui hoje e pedir demissão.”
Também exaltado, o
deputado Abelardo Lupion (DEM-PR) afirmou que para Minc “tudo é
válido desde que ele apareça na mídia” e lembrou a participação
do ministro na Marcha da Maconha.
“Nós defendemos a
erva do bem. Já o senhor participa de manifestações defendendo a
erva do mal”, emendou o deputado Moreira Mendes (PPS-RO), ao oferecer ao
ministro um pacote de erva-mate produzida no Rio Grande do Sul.
Caiado também fez
referências à participação de Minc no evento ao questionar o
ministro se ele se sentiria confortável se os produtores dissessem
que defendem a produção de arroz, grãos, milho, leite e carne
“enquanto vossa excelência defende a produção de cocaína e
maconha”.
“Refuto essas
agressões de forma direta e solene. Não correspondem à verdade”,
rebateu Minc ao comentar que sempre combateu o crime organizado e que
defende o tratamento de usuários e dependentes de drogas como uma
questão de saúde e não de polícia.
Depois de cinco horas
de audiência, Minc disse que saiu tranquilo da reunião e que, apesar
do pedido de desculpas, não mudou suas concepções e posições
sobre a agricultura empresarial. “Continuo tendo críticas ao
grande latifúndio da monocultura e dos agrotóxicos.”
Edição: Lílian Beraldo
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