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24 de Junho de 2009 - 15h42 - Última modificação em 25 de Junho de 2009 - 08h41


Bancada ruralista critica Minc durante audiência na Câmara

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Parlamentares da bancada ruralista fizeram hoje (24) duras críticas ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que foi à Câmara dar explicações por ter chamado os grandes produtores rurais de vigaristas durante uma manifestação de agriculturores familiares em maio. Os deputados chegaram a pedir a demissão do ministro.

Minc, que na mesma ocasião disse que os ruralistas “encolheram o rabinho de capeta" para enganar os pequenos agricultores pediu desculpas aos parlamentares e retirou as expressões que classificou como “inadequadas e descabidas”.

No entanto o pedido de desculpas não foi suficiente para acalmar os ânimos da bancada ruralista. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) disse que Minc criou a divergência com os produtores rurais para desviar a atenção da falta de ações do Ministério do Meio Ambiente.

“Ele tem que satanizar alguém para esconder a incompetência do ministério. Ele é um ministro que não tem proposta para reconciliação com o meio rural, que não tem como explicar Angra 2 e Angra 3, não tem como explicar a contaminação de mananciais e por isso tem que penalizar alguém e esse alguém é o produtor rural.”

Caiado disse que Minc não pode tratar a legislação ambiental de forma seletiva para punir mais severamente os grandes produtores. “Ele é um professor de maniqueísmo. Só vê o preto e o branco. Ele é o bem e o produtor rural é o mal”, acrescentou.

O deputado Giovanni Queiróz (PDT-PA) disse que Minc envergonha o país e que os ruralistas só seriam devidamente retratados pelas declarações do ministro se o presidente Lula o afastasse do cargo. “Que vergonha o país ter um ministro que diz o que não pensa. O verdadeiro vigarista é o que tapeia, engana e fala demais. O senhor deveria sair daqui hoje e pedir demissão.”

Também exaltado, o deputado Abelardo Lupion (DEM-PR) afirmou que para Minc “tudo é válido desde que ele apareça na mídia” e lembrou a participação do ministro na Marcha da Maconha.

“Nós defendemos a erva do bem. Já o senhor participa de manifestações defendendo a erva do mal”, emendou o deputado Moreira Mendes (PPS-RO), ao oferecer ao ministro um pacote de erva-mate produzida no Rio Grande do Sul.

Caiado também fez referências à participação de Minc no evento ao questionar o ministro se ele se sentiria confortável se os produtores dissessem que defendem a produção de arroz, grãos, milho, leite e carne “enquanto vossa excelência defende a produção de cocaína e maconha”.

“Refuto essas agressões de forma direta e solene. Não correspondem à verdade”, rebateu Minc ao comentar que sempre combateu o crime organizado e que defende o tratamento de usuários e dependentes de drogas como uma questão de saúde e não de polícia.

Depois de cinco horas de audiência, Minc disse que saiu tranquilo da reunião e que, apesar do pedido de desculpas, não mudou suas concepções e posições sobre a agricultura empresarial. “Continuo tendo críticas ao grande latifúndio da monocultura e dos agrotóxicos.”

Edição: Lílian Beraldo

 


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