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2 de Julho de 2009 - 15h58 - Última modificação em 2 de Julho de 2009 - 15h58


Apenas 39% das escolas do país têm acesso à rede de esgoto sanitário, aponta estudo

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - Apenas 39,27% das mais de 198 mil escolas do Brasil têm rede de esgoto sanitário, segundo estudo divulgado hoje (2), em São Paulo, pelo Instituto Trata Brasil. O trabalho, que se baseou no Censo Escolar de 2007, do Ministério da Educação,
 levou em consideração 79 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes.

“A principal vítima da falta de saneamento básico são as crianças”, afirmou o pesquisador Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais, vinculado ao Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas.

Segundo o estudo, 62,25% das escolas têm rede de água; 87,65% contam com energia elétrica e 61,11% fazem coleta periódica de lixo.

“O saneamento é o esgoto das estatísticas sociais. E isso traz consequências sérias para o país, com pessoas que deixam de trabalhar, crianças que perdem aula, crianças que morrem”, destacou o pesquisador.

De acordo com o levantamento, 7,28% das pessoas que não têm rede de coleta de esgoto perderam dias de trabalho nas duas últimas semanas por motivo de doença, que podem estar associadas à ausência do serviço. Desse total, 0,51% deixou de trabalhar por causa de diarréias e vômitos.

Os dados se basearam na Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD) de 2003, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A falta de saneamento básico também pode ser uma das explicações para os 5,92% de estudantes,  até 17 anos, terem deixado de realizar quaisquer atividades habituais por motivo de saúde.

“A falta de saneamento implica pior desenvolvimento humano em todas as dimensões, em particular na saúde. A falta de saneamento rouba a vida e mata crianças, principalmente de um a seis anos de idade e também traz consequências futuras para aqueles que sobrevivem às doenças do saneamento”, disse Néri.

De acordo com ele, o Brasil só poderá ser um país de futuro quando resolver o problema da falta de saneamento. “Na situação de crise que nos encontramos hoje, o abrir e tapar buracos para fazer a roda da economia girar são mais fundamentais ainda." Para ele, quando isso for feito, pode-se também investir em obras de saneamento. "Isso vai gerar emprego e vai gerar um efeito de longo prazo, melhorando o Brasil. Se a gente não resolver a situação básica do saneamento, não vai ser um país do futuro”, afirmou o pesquisador.



Edição: João Carlos Rodrigues
 


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