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Brasília - Presidiários de cinco
estados estão participando de um projeto do Departamento
Penitenciário (Depen), do Ministério da Justiça, cujo objetivo é
mostrar a visão deles sobre o sistema prisional por meio de
fotografia. Para isso, em cada presídio selecionado, dez presos
escolhidos pelos próprios colegas receberam uma máquina fotográfica
descartável e um filme de 28 poses para documentar a vida
carcerária.
As prisões escolhidas
foram o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo
Horizonte; o Presídio Central, em Porto Alegre; o Presídio Aníbal
Bruno, em Recife; a penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná;
e a Fábrica Esperança, em Belém. Esta unidade emprega presos em
regime aberto ou prisão domiciliar e egressos do sistema prisional
paraense para treinamento e qualificação.
As fotos passarão por
uma seleção no Depen para serem apresentadas na Feira de
Conhecimento da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (1ª
Conseg), de 27 a 30 de agosto, no Centro de Convenções Ulysses
Guimarães, em Brasília.
De acordo com a
coordenadora-geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas
Alternativas do Ministério da Justiça, Márcia Alencar Araújo
Matos, os presos terão total liberdade para fotografar o que
quiserem. O projeto foi inspirado em iniciativa idêntica realizada
há alguns anos em presídios de Goiás pelo governo do estado e
intitulada O Olhar do Preso. “Até mesmo episódios de violência
que ocorrerem com eles [podem ser fotografados]”, garante.
“A seleção será
feita levando em conta a qualidade da foto e o conceito com que ela
trabalha”, explica Márcia. “O que o Depen quer apresentar com
essas fotos são os contrastes da realidade carcerária brasileira
sob o olhar do preso e não apenas boas fotos. Por isso, escolhemos
unidades que apresentam esses contrastes”. Segundo ela, isso poderá
contribuir para a construção de novas diretrizes para o sistema
penitenciário durante a Conferência Nacional de Segurança Pública.
Por essa razão,
assinala Márcia, os presos foram escolhidos pelos próprios detentos
e não pela direção dos presídios. Ela diz que as lideranças
carcerárias tiveram papel fundamental na seleção e vão garantir a
realização do trabalho pelos presos que receberam as máquinas
fotográficas.
Além das fotografias,
a conferência exibirá os vídeos que estão sendo gravados dentro
de alguns presídios, nos quais, segundo Márcia, os presos falam e
apresentam sugestões para alterar a realidade do sistema carcerário
brasileiro. Uma empresa especializada está produzindo esses vídeos
nos Acre, Pará, Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio
Grande do Sul, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.
Em cada estado, será
apresentado o vídeo gravado em um presídio masculino e um feminino.
As gravações serão feitas até o final deste mês, durante as
Conferências Livres que o Depen promoverá nessas unidades, quando
serão escolhidas as propostas dos presos que serão transformadas em
documentários.
“Nunca o preso fez
Conferência Livre no Brasil, e queremos documentar esse momento por
meio de vídeo”, diz Márcia. De acordo com ela, as autoridades não
estão participando dos debates e da elaboração das propostas que
serão encaminhadas pelos detentos à 1ª Conferência Nacional de
Segurança Pública. Depois, as sugestões serão sistematizadas,
juntamente com as de outros setores do sistema penitenciário, para
pautar o debate sobre o sistema penitenciário também durante o 12º
Congresso Mundial, em abril de 2010, em Salvador.
Nesse congresso, será
feita a revisão das resoluções da ONU sobre a questão
penitenciária mundial, dividida em quatro eixos de discussão:
Tratamento a Prisioneiros; Tortura; Alternativas à Prisão e Justiça
Restaurativa; e Violência contra a Mulher. Todos estarão
relacionado ao tema central: Justiça Criminal e Prevenção ao
Crime. Essa será a primeira
vez que congresso vai ser realizado no Brasil. O evento será organizado
pela Secretaria Nacional de Justiça.
Edição: João Carlos Rodrigues
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