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Rio de Janeiro - Meninas na faixa etária
dos 7 aos 17 anos são as maiores vítimas de abuso
sexual em Belford Roxo, município da Baixada Fluminese. Foi o que revelou pesquisa realizada pelo Programa de
Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à
Violência Sexual Infantojuvenil no Território
Brasileiro (Pair) e pela Associação Brasileira Terra dos
Homens (ABTH).
"A gente tem uma
escala gradativa. Quanto menor a criança, o abuso sexual
intrafamiliar [praticado por alguém de casa, dentro do lar] é mais praticado, possivelmente por uma maior
vulnerabilidade dessa criança e da confiança que ela
tem nos parentes. E, quanto maior for a idade, a gente vai tendo uma
ida para fora da família. Casos de abuso e exploração
também acontecem com maior frequência nas faixas
etárias maiores”, relata a coordenadora do Pair no estado do Rio de Janeiro, Valéria Brahim.
Segundo ela, embora o pai e o
padrasto sejam os principais autores de violência sexual contra
crianças e adolescentes identificados na cidade da
Baixada Fluminense, seguidos do avô, tio e irmão, a figura materna também é
encontrada entre os molestadores sexuais, em muitos casos.
“Apesar de não
ter aparecido com tanta frequência, até mesmo por uma
questão de concepção da sociedade de que é
o homem é o que violenta, há muitos casos [de abuso] que também são
praticados por mães e avós que violentam seus filhos ou
parentes mais próximos”.
Foram identificadas
três localidades de maior ocorrência de violência
sexual infantojuvenil em Belford Roxo. São as comunidades do
Parque São José, Shangrilá e Praça de
Heliópolis. Quando se busca a origem das crianças e
adolescentes molestados, verifica-se, porém, que o número
de comunidades citadas sobe para seis, e inclui as de Roseiral,
Redentor e Bom Pastor. Em geral, são comunidades de menor
poder aquisitivo.
A coordenadora do Pair
ressaltou, contudo, que o abuso
e a exploração sexual não estão ligados, necessariamente, à
questão da renda. “A gente sabe que essa violência
ocorre também nos condomínios da Barra da Tijuca e na
Zona Sul, mas eles têm um muro de influência muito mais
forte. E os casos não chegam, infelizmente, aos atendimentos
públicos”. Isso significa que quanto mais rico for o autor
da violência sexual contra a criança e o adolescente
mais difícil fica a sua responsabilização.
A pesquisa aplicada em Belford Roxo foi divulgada hoje (8) durante seminário do
Pair, no município.
Edição: Lana Cristina
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