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Rio de Janeiro - O município de
Belford Roxo ainda não dispõe de um plano municipal de
enfrentamento da violência sexual contra crianças e
adolescentes. O mesmo ocorre em relação a outras duas cidades da Baixada Fluminense, Duque de Caxias e São João de Meriti, já
mapeadas pelo Programa de Ações Integradas e
Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto
Juvenil no Território Brasileiro (Pair), coordenado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.
Em nível
nacional, há um plano em vigor desde 2000 e no âmbito estadual, o plano foi deliberado recentemente pelo Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente. As informações são da coordenadora do Pair no Rio de Janeiro,
Valéria Brahim.
Ela acredita que
precisa haver uma maior sinergia entre as três
esferas de governo para enfrentar e coibir a violência sexual
contra menores. “Muitas vezes, infelizmente, a política
partidária impede que o fluxo dos serviços seja melhor
efetivado. E, infelizmente, no Brasil, apesar de a lei dizer, criança
e adolescente não são prioridade absoluta. Se fosse, a
gente teria um movimento de prevenção nas escolas
muito maior”, afirmou.
Valéria apontou
a necessidade de se investir, nos municípios e também
no estado, na preparação dos professores e dos agentes
de saúde para lidar com casos de violência contra crianças e adolescentes. “Acho que falta um pouco de vontade política”,
disse.
A pesquisa do Pair
recomenda algumas ações preventivas, como o trabalho
nas escolas, por meio de atividades educativas, além do
fortalecimento da família. As sugestões foram feitas
pelas pessoas entrevistadas, que lidam com a criança no dia a
dia.
Valéria Brahim enfatizou a
importância do apoio à família. “Quanto maior
for a vulnerabilidade, não só física, mas social
e psíquica, maior é a possibilidade de enfrentar a violência sexual dentro da família. A família vem
sendo durante muito tempo a responsável por todos os males da
criança. É preciso mudar esse tom. A família tem
que proteger a sua criança, mas existe algo anterior, que é
o Estado. E este precisa dar todas as condições para
que as famílias protejam essa criança.”
O relatório
final será encaminhado à Secretaria Direitos Humanos (SEDH) e, a partir dele, será elaborado um plano operacional local, com o planejamento
de ações para o combate às situações
identificadas. “Os governos federal, estadual e municipal e a
sociedade civil vão assinar uma carta de adesão
para que o plano seja de fato efetuado no município”, disse
Valéria.
A coordenadora do PAIR
no estado do Rio informou que, em nível nacional, um estudo
realizado em 2004 mapeou 927 municípios com alto índice
de violência sexual infantojuvenil. A maior parte está
localizada no Nordeste, com casos relacionados ao turismo sexual.
Matéria alterada para esclarecer informações / Edição: Lana Cristina
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