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Brasília - O secretário-geral
do Ministério das Relações Exteriores,
embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, afirmou hoje (9) em
audiência na Comissão de Relações
Exteriores do Senado que a possível adesão da Venezuela
ao Mercosul é uma “oportunidade histórica de
consolidar o processo de integração da América
do Sul.”
Guimarães
lembrou ainda que há um ambiente de grande cordialidade na
relação entre os presidentes brasileiro – Lula - e o
chefe de governo do país vizinho - Hugo Chávez. O
diplomata também minimizou a inflação na
Venezuela como um impeditivo para o ingresso do país no bloco. “Se tomarmos o
Mercosul como uma união aduaneira, e é isso o que ele
é, o fator inflacionário não tem importância”,
disse.
Já o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, que também participou da audiência,
defendeu a necessidade de mais tempo para avaliar a possível
adesão venezuelana, segundo ele, dada a uma incapacidade momentânea
do país vizinho em cumprir pré-requisitos para a entrada
no bloco.
O tema também
divide os parlamentares, que expressaram suas posições
ao longo do debate. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM)
disse que “não gostaria de ver um palanque
antimericano estudantil” no bloco comercial. Para Virgílio,
o comportamento político do presidente venezuelano, Hugo Chávez,
é marcado por “bizarrices políticas” e faz com que
uma maior parceria com o vizinho não seja fundamental para o
Brasil. “Não consigo pensar em aliança melhor para o
Brasil do que a que passa pelo eixo dos Estados Unidos e Europa”,
afirmou.
Os senadores Fernando
Collor (PTB-AL) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) ressaltaram não
ter pré-disposição definitiva para
rejeitar o ingresso venezuelano no Mercosul, mas sim a preocupação
em saber se este é o momento mais propício para a
concretização da medida.
Collor lembrou que
somente no último ano o governo venezuelano desapropriou mais
de 150 empresas ou propriedades e já expressou a discordância em mais de 100 normas que regem o Cone Sul. “Não se pode
separar o chefe de Estado da nação que está sob
o seu comando. A nenhum país é dado o direito de
ingressar no Mercosul sem que ele se disponha a cumprir
pré-requisitos. Não pode entrar pela janela”, disse
Collor.
Em outra linha de
argumentação, os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e
Cristovam Buarque (PDT-DF) acreditam que a adesão
da Venezuela ao bloco vai colaborar para a democratização
do país vizinho. “Já estou pronto e convicto para
votar favoravelmente”, avisou Suplicy. “ Não podemos
confundir Chávez com Venezuela. Ele é passageiro”,
acrescentou Buarque.
Convidado para a
audiência, o embaixador da Venezuela no Brasil, Julio Garcia
Motoya, não compareceu e justificou a ausência por
meio de carta, na qual cita os senadores brasileiros de “limitarem
a discussão e a análise do tema ao jogo de interesses de
particularíssima condição política”.
Após as reclamações
de senadores, que consideraram ofensivas e desrespeitosas as palavras
do embaixador venezuelano, a Comissão decidiu hoje devolver a
carta ao embaixador, por meio do Itamaraty.
Esta foi a última
audiência realizada pela comissão para debater o
assunto. Não há, ainda, uma data prevista para
que o Senado vote a adesão venezuelana ao Mercosul.
Edição: Aécio Amado
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