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21 de Julho de 2009 - 14h49 -
Última modificação
em 21 de Julho de 2009 - 16h27
Estimativa de 13 assassinatos diários de jovens de 2006 a 2012 causa surpresa, diz subsecretária
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
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Marcello Casal JR/ABr
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Brasilia - O professor da Uerj, Ignácio Cano, a representante do Observatório de Favelas Raquel Willadino, o representante do Unicef Manoel Bivunich e a subsecretária dos Direitos da Criança e do Adolescentes, Carmen Oliveira, durante o lançamento do Índice de Homicídios na Adolescência
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Brasília - Ao
comentar os dados de pesquisa divulgada hoje (21) sobre violência
contra adolescentes, a subsecretária dos Direitos da Criança
e do Adolescente da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH),
Carmen Oliveira, afirmou que a estimativa de mais de 33 mil
assassinatos entre jovens de 12 a 18 anos no período de 2006 a 2012 causou
“surpresa”.
A íntegra do estudo pode ser consultada na internet.
“Isso
significa que teremos 13 mortes diárias por
assassinatos de adolescentes. Considerando a preocupação
brasileira com a gripe suína, em que cada morte é
contabilizada dia a dia, é importante que a sociedade tenha a
mesma indignação e preocupação com essas vidas perdidas na adolescência”, disse.
Segundo a subsecretária, a SEDH fez esta semana uma espécie de
“pactuação” com gestores municipais e estaduais –
sobretudo dos municípios com os maiores índices de
assassinato na adolescência – para organizar ações
conjuntas, diagnósticos locais e enfrentamento integrado do
problema. Ela
reconheceu a “ineficiência” e a “insuficiência” de
políticas públicas, inclusive diante de situações
como a evasão escolar. Com isso, lembrou Carmen, o adolescente acaba indo para a rua e encontrando na criminalidade uma fonte
de sobrevivência.
Segundo o
professor Inácio Cano, membro do Laboratório de Análise da
Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o Brasil é um dos
países mais violentos da América Latina, atrás
apenas de El Salvador e da Venezuela. “Isso levando em consideração
que a América Latina já é uma das regiões
mais violentas do mundo.”
Ele
avaliou que no país há um “problema central”de
violência letal. Para Cano, as políticas públicas
brasileiras estão voltadas para a violência contra o
patrimônio quando deveriam priorizar a violência contra a
vida.
"Está
na hora de o Brasil mudar suas prioridades”, disse, ao ressaltar que
a probabilidade de um adolescente brasileiro ser vítima de arma de fogo
chega a ser três vezes maior do que a de ser assassinado de outra forma. “A arma de fogo tem que ser sempre foco em
qualquer política de prevenção.”
Na avaliação do representante do Fundo das Nações Unidas para
a Infância (Unicef) no Brasil, Manuel Buvinich, 60% dos ganhos
que o país alcançou com a redução
da mortalidade entre crianças de até 5 anos “se
perdem” diante dos altos índices de assassinato de
adolescentes. “Ficamos muito preocupados com o fato de a violência
letal começar tão cedo, aos 12 anos."
Edição: Juliana Andrade
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