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Brasília - O presidente da Empresa
de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse hoje (24)
que os rendimentos do fundo formado pelo pré-sal serão investidos
em atividades rentáveis e em infraestrutura.
“A ideia é
justamente aplicar recursos prioritariamente para sanar a grande
dívida social que esse país tem com a população. Para isso, vão
investir em atividades que tenham rentabilidade e pode ser em
atividades de infraestrutura. E os rendimentos, serão justamente no
fundo social”, disse.
Tolmasquim que considerou a descoberta do
pré-sal como um “bilhete premiado da loteria”. Nós já somos
autossuficientes. O que vem a mais é para exportação. O pré-sal é
um grande bilhete na loteria que o Brasil ganhou”, afirmou.
O presidente da EPE participou
da elaboração do marco regulatório do pré-sal, que será
apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo
dia 31 de agosto. Em debate sobre energia na Comissão de Infraestrurura
do Senado, ele revelou que a exploração será realizada em regime
de parceria, que considera a forma mais adequada devido a
convicção de que o risco do negócio é bem menor do que o governo
imaginava.
“O regime de
concessão foi pensado quando se tinha uma percepção de que o risco
era muito grande. A concepção hoje é de que o risco é bem menor,
por isso, não tenho dúvida de que o modelo de parceria é o mais
adequado", afirmou.
O presidente da EPE
considerou ainda que já existe tecnologia suficiente para explorar
petróleo na área do pré-sal e que o que o governo tem trabalhado para baratear o custo operacional da exploração. O presidente da
comissão, senador Fernando Collor, questionou o presidente da EPE sobre a distribuição
dos royalties sobre o petróleo extraído da camada pré-sal, mas Tolmasquim não quis falar sobre o assunto. “Como o
presidente vai anunciar o projeto no próximo dia 31, eu queria não
falar sobre isso. Não quero aqui anunciar nada”, disse.
Na opinião do senador
alagoano, a distribuição dos royalties será o principal problema na
discussão do projeto na Câmara e no Senado, que exigirá dos
senadores e deputados “muita engenharia política”. “Esse é um
problema crucial. Como isso será dividido? Isso vai exigir muita
engenharia política nossa para que possamos chegar a uma acordo”,
afirmou Collor.
Hoje (24), o governo
teve a ideia do tamanho da “engenharia política” para equalizar os interesses dos estados. O governador
do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), que se reunirá com o
presidente Lula na próxima semana, vai reclamar das propostas de
redistribuição dos royalties que estão sendo pensadas. “Dividir
os recursos do pré-sal com outros estados brasileiros seria um ato
de brutalidade com o Rio de Janeiro”, disse Cabral.
O tucano Aécio Neves,
governador de Minas Gerais, já defende que a distribuição dos
royalties contemple também os estados. “O Rio deve ter
participação nisso, mas o Brasil de alguma forma também tem que
ser beneficiado, ou vamos ter uma distorção ainda maior entre
estados e regiões”, disse o mineiro em debate realizado no Rio de Janeiro.
Edição: Aécio Amado
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