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Brasília - A Justiça brasileira é resistente a reconhecer o racismo em processos de ação trabalhista. A conclusão é do cientista
social Santiago Falluh Varellado que analisou autos de processos na
Justiça Trabalhista de ações contra os cinco
maiores bancos do país, por racismo, em tese de doutorado
defendida no Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília
(UnB).
Na
amostra analisada, nenhum banco foi condenado. De acordo com o
pesquisador, que também é assessor do procurador-geral
do Trabalho, Otavio Brito Lopes, magistrados são resistentes
a qualquer pedido de reparação de direitos coletivos em
processos sobre racismo, porque “não concordam que isso seja
um problema". "É comum reputar o racismo a coisas muito pouco
concretas”, afirma.
“É
muito difícil reconhecer o racismo como problema nos votos e nas
declarações orais. É muito fácil
enfatizar o caráter miscigenado da sociedade brasileira.”
Na
avaliação do sociólogo, o Judiciário tem
dificuldade em entender a discriminação racial como
fenômeno cultural e reduz o racismo a causas individuais ou a
causas que não geram responsabilizações.
“São
culpados a história ou o Estado brasileiro, genericamente. Há
ineficiência nas punições contra as ofensas
racistas”, diz Santiago Varellado que apresentará a pesquisa
no próximo mês durante o 33º Encontro Anual da Associação de Pós-Graduação e
Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), a ser realizado em Caxambu (MG). Para o pesquisador, o
efeito é a “discriminação indireta” e o
“racismo institucional”. Ele lembra que o Brasil já
foi condenado publicamente pela Comissão Interamericana de
Direitos Humanos da Organização dos Estados
Americanos (OEA) em 2006 por “omissão das autoridades públicas”
e “impunidade” em um caso de discriminação racial
ocorrido em São Paulo.
Apesar
das dificuldades do Judiciário em reconhecer o racismo, Santiago Varellado não
acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) acabe com as políticas
afirmativas nas universidades federais. “Há um grau de consolidação
considerável”, avalia.
O STF marcou para o início de março
do próximo ano as audiências públicas para ouvir
organizações da sociedade civil sobre a ação
do Democratas contra a política de cotas da UnB.
Entidades ligadas ao
movimento negro e aos direitos humanos pedem ao
STF para serem ouvidas no processo. No último dia 18, o
Instituto de Advocacia Racial e Ambiental; a Sociedade
Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sóciocultural; o Instituto
Casa da Cultura Afro-Brasileira; o Instituto de Defensores dos
Direitos Humanos, e a organização não governamental Criola pediram ingresso como amicus curiae [parte
interessada] na ação.
Edição: Lílian Beraldo
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