|
Brasília - Na tentativa de minimizar a tensão envolvendo cerca de 500 mil
brasileiros que vivem no Paraguai, o governo do presidente Fernando
Lugo deu a contrapartida à chamada lei da anistia a estrangeiros,
decretada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um acordo
ratificado pelos países do Mercosul estabelece a
preservação de direitos e a fixação de deveres para os estrangeiros que
moram em território paraguaio.
A presença dos chamados brasiguaios gera conflitos com os movimentos sociais e setores da
sociedade civil do Paraguai. A crítica é que entre os brasileiros
residentes no Paraguai alguns detêm grandes propriedades rurais, o que
poderia atrapalhar o processo de reforma agrária no país.
Os
defensores dos proprietários rurais brasileiros, porém, alegam que o trabalho
deles colabora para o incremento da balança comercial paraguaia, com o plantio de soja e a produção de todos seus derivados.
“O
acordo ratificado no âmbito do Mercosul permite a todos a regularização
de residência, direitos e condições de trabalho e até a possibilidade de
candidaturas políticas”, afirmou o encarregado de Negócios da Embaixada
do Paraguai, Didier César Olmedo. “É um avanço em todos os sentidos.”
O acordo foi firmado logo depois do presidente Lula ter decretado
a lei de anistia a estrangeiros que vivem clandestinamente no país.
Por determinação de Lugo, o presidente paraguaio, os oito consulados do Paraguai no Brasil
montaram um esquema especial de atendimento, funcionando, inclusive, aos
sábados, na parte da manhã.
Paralelamente, o governo Lugo informa,
por meio da imprensa, que os direitos dos produtores rurais brasileiros
estão garantidos e que não há ameaças a seus negócios. Em fevereiro,
o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, manifestou a
preocupação do governo brasileiro em relação a eventuais riscos às
atividades dos brasiguaios.
Edição: Lana Cristina
|
|