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São Paulo - O
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) tem certeza de que são propriedade da União os
cerca de 2 mil hectares utilizados pela empresa Cutrale para produção
de laranja em Borebi (SP). A afirmação foi feita pelo
superintendente do órgão em São Paulo, Raimundo
Pires Silva, em entrevista à Agência Brasil.
A
fazenda foi ocupada pelo Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no último dia 28. Os
manifestantes permaneceram até a última quarta-feira (7) e, durante o tempo em
que estiveram no local, destruíram parte da lavoura de
laranja. O MST
afirmou que o ato pretendia denunciar a suposta grilagem de terras. Segundo
o superintendente do Incra, estudos garantem que as terras fazem parte de uma área de 40 mil
hectares adquirida pela União em 1909 com a intenção
de fazer assentamentos. Pires Silva contou que “não se sabe
como” parte das terras foi registrada em cartório em nome
de particulares. Desse modo, os terrenos passaram a ser negociados
legalmente.
Por
isso, empresas e pessoas que adquiriram essas áreas após
a grilagem são consideradas, de acordo com Pires Silva,
“ocupantes de boa-fé”, porque acreditavam estar fazendo
um negócio lícito quando compraram as terras.
No
entanto, o superintendente ressaltou que é função
do Incra “resguardar o patrimônio público”. Com esse
intuito, o órgão já ingressou com 50 ações
na Justiça reivindicando propriedade sobre terras do chamado
Núcleo Colonial Monção. A fazenda utilizada pela
Cutrale é tratada em duas delas, uma na Vara Federal de
Ourinhos e a outra na Vara Federal de Bauru.
A ação
do MST nas terras disputadas não causou problemas para o
trâmite judicial ou para as negociações que o
Incra mantém com a empresa ocupante, segundo Pires Silva.
Porém, ele repudiou o ato realizado pelo
movimento.
Edição: Enio Vieira
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