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Tegucigalpa (Honduras) - Depois de dois dias de intensas reuniões entre os representantes do
governo golpista de Roberto Micheletti e do governo deposto de Manuel Zelaya,
ficou decidido que o Congresso hondurenho irá votar a recondução de Zelaya à Presidência. O Legislativo já recebeu o texto que prevê, entre outras medidas, a criação
de um governo de reconciliação, o reconhecimento das eleições presidenciais de
29 de novembro e o envio de observadores
internacionais para acompanhá-las.
O presidente do Congresso,
José Alfredo Saavedra, disse que a instituição deve consultar a Suprema Corte
antes de decidir sobre o caso. “O Congresso Nacional tomará a
decisão de restituir ou não o presidente Manuel Zelaya conforme o que estabelece
a Constituição e as leis hondurenhas”, afirmou Saavedra.
O Congresso hondurenho é composto por 128 parlamentares. As maiores
bancadas são dos partidos Liberal (62) e Nacional (55). O Partido da Unificação
Democrática tem cinco deputados. Já o Democrata Cristão tem quatro e o Inovação e
Unidade, dois parlamentares. O presidente deposto, Manuel Zelaya, acredita ter maioria no Congresso para votar a favor
da recondução dele ao cargo. Zelaya continua abrigado na Embaixada do Brasil em
Honduras e lá deve ficar até que o Congresso se posicione.
Como o
país está a menos de um mês das eleições, os representantes do governo golpista
vão trabalhar para que a decisão seja votada só depois de 29 de novembro. “No Congresso, não está havendo
sessões. Entendo que ele está programado para voltar a trabalhar depois das
eleições porque cada um dos parlamentares está fazendo campanha eleitoral pela
reeleição”, disse Arturo Corrales, um dos negociadores do governo de
Micheletti.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) anunciou que vai
enviar a Honduras duas comissões: uma para acompanhar as eleições e outra para
fiscalizar a execução do acordo feito entre Micheletti e Zelaya. Sobre a decisão
do Congresso de votar a recondução de Zelaya ao cargo, o secretário de Assuntos Políticos da OEA, Victor Rico, disse não haver prazo. “O Congresso decidirá
quando irá se pronunciar. Naturalmente, estou seguro de que os congressistas terão plena compreensão da importância e da
urgência política. Espero que eles o façam no menor prazo possível”, afirmou
Rico.
A Embaixada dos Estados Unidos em Honduras vai voltar a emitir vistos a partir da próxima segunda-feira (2). A concessão dos documentos estava temporariamente suspensa desde o dia 26 de agosto.
Edição: Graça Adjuto
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