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Brasília - O
Ministério da Saúde (MS) elabora um
protocolo para o atendimento de portadores de cerca de 20 doenças
raras que afetam o metabolismo do organismo e podem acarretar outros
problemas. Essas doenças, de origem genética, são
de difícil diagnóstico e podem ter um tratamento de
alto custo.
Esse é
o caso da homocistinúria, cujos portadores têm
dificuldades de processar aminoácidos e devem ingerir
alimentos com baixo teor de proteína, além de
equilibrar sua dieta com uma fórmula especial vendida em lata,
entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. A quantidade da fórmula (em pó
para ser misturada com água) varia de acordo com cada
paciente.
A
homocistinúria pode causar osteoporose (que afeta os ossos),
problemas cardiovasculares, trombose (coagulação
sanguínea nas veias), cegueira por deslocamento do cristalino
e até distúrbios psiquiátricos.
“Quando
eu leio que a homocistinúria pode causar isso tudo, eu penso
que o governo quer que o paciente tenha esses males”, diz Simone
Allon Arese, presidente da Associação Brasileira de
Homocistinúria. Ela classifica como “demagógicas”
as campanhas do Ministério da Saúde sobre prevenção
e tratamento dessas doenças e assinala que,
mensalmente, tem que desembolsar R$ 7 mil para comprar a fórmula
especial para o filho.
A técnica de média e alta complexidade do
Departamento de Atenção Especializada da Secretaria de
Assistência à Saúde (MS), Adriana
Delfiaco, disse no mês
passado à Agência Brasil que doenças
causadas por erro inato do metabolismo, como a homocistinúria,
têm uma forma de diagnóstico muito similar e, portanto,
é preciso que sejam pensadas em conjunto para garantir o
acesso maior ao tratamento. “Nem todas as doenças têm
tratamento estabelecidos”, salientou.
Segundo a
técnica, essas doenças “não têm
identificação clínica fácil” e “exigem
um conhecimento prévio”. De acordo com ela, o Ministério
da Saúde trabalha no sentido de “estruturar a rede
assistencial” do Sistema Único de Saúde (SUS) e para isso é necessário conhecimento
sobre quais estabelecimentos podem realizar os procedimentos
clínicos, como devem atuar as equipes de atendimento e como
deve funcionar a rede laboratorial de diagnóstico.
O
estabelecimento de um protocolo para atendimento de portadores de
doenças raras depende de negociação com a rede
hospitalar e clínica dos estados e municípios. De
acordo com o coordenador do Núcleo de Farmácia,
Ciência e Tecnologia do Conselho Nacional de Secretarias
Municipais de Saúde, Rodrigo Lacerda, está em discussão uma
portaria de genética clínica que “irá
contemplar o atendimento adequado dos portadores de doenças
raras”.
Segundo
ele, o Ministério da Saúde deverá até o
fim do ano propor a revisão dos protocolos clínicos
para as doenças consideradas excepcionais.
Edição: Lílian Beraldo
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