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São Paulo - A projeção de que o dólar feche o ano valendo
cerca de R$ 1,70 leva a crer que a ceia natalina do brasileiro ficará
mais em conta do que no ano passado, quando a moeda norte-americana
valia R$ 2,33.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de
Supermercados (Abras), Sussumu Honda, os produtos importados como
castanha portuguesa, nozes, avelãs, amêndoas, condimentos, vinhos
estrangeiros e outros tendem a ficar mais baratos.
No caso dos produtos tradicionais e de importação
contínua, como bacalhau, azeite e mesmo alguns tipos de frutas
oleaginosas que passaram a ser vendidas no dia a dia, a variação
será menor.
“A variação [dos preços] desses
produtos é menor porque, como no ano passado o dólar subiu muito,
os importadores procuraram segurar os preços, trabalhando com dólar
médio, então o produto não chegou a subir tanto".
Para Honda, a situação neste ano é bem mais
tranquila, porque há previsão de maior oferta de produtos, já que
os grandes mercados consumidores - Estados Unidos e Europa, por
exemplo - estão enfraquecidos e as empresas têm se voltado para o
Brasil.
O professor do Instituto de Economia da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Giuliano Contento de
Oliveira, também acredita que o Natal registre preços mais baixos,
o que permitirá ampliar o consumo do trabalhador. Para ele, os
preços devem cair entre 15% e 20%, levando ao aumento das venda.
“Isso tende a repercutir favoravelmente para as
empresas, ainda que não signifique necessariamente a ampliação da
margem de lucro, porque a concorrência tende a se intensificar em face da entrada cada vez maior de produtos de outros países,
principalmente da China”.
No caso dos brinquedos, o presidente da Associação
Brasileira dos Importadores e Exportadores de Brinquedos (Abrimpex),
Eduardo Benevides, lembrou que no ano passado os consumidores não
sentiram os efeitos do dólar, porque as compras já haviam sido
feitas antes do início da crise, e os aumentos registrados foram os
tradicionais, de 5% a 7%, o que deve se repetir neste ano.
“Neste ano os importadores compraram menos
porque não tinham previsão de como o Brasil ficaria com relação à
crise. Mas no segundo semestre alguns importadores estão fazendo
novas compras, prevendo aumento do consumo por conta da queda do
dólar”. Para ele, as vendas devem crescer pelo menos 12%.
Para o coordenador de pesquisas do Programa de
Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração
(Provar Fia) da Universidade de São Paulo, Nuno Fouto, as condições
do Natal deste ano não favorecem preços mais baixos do que os do
ano passado, porque naquele período havia forte influência da
crise, entretanto os produtos importados tendem a ter os preços
menores porque já foram negociados.
“A tendência se mantém, não acho que vai
haver quedas muito grandes, suficientes para modificar o quadro ante
o ano passado. Os preços devem até ser de 1,2% a 3% mais altos, com
a tendência de mais procura do que oferta”.
Quem for comprar os enfeites típicos de Natal
também não encontrará preços muito inferiores aos do ano passado.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Importadores de
Produtos Populares (Abipp), Gustavo Dedivitis, o consumidor isso
acontece porque os importadores compram os produtos com antecedência
de seis a oito meses.
“Então, momentaneamente, o dólar barato não
tem relação para produtos do Natal. Os importadores já trabalharam
com o dólar em um patamar de R$ 2,00, patamar adotado por conta da
volatilidade [altas e quedas abruptas da moeda]”.
Edição: Tereza Barbosa
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