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Brasília - A
oposição adotou a estratégia de expor ao máximo a articulação
do governo para tentar impedir o comparecimento da ministra-chefe da
Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Senado com o objetivo de explicar as
causas do blecaute da semana passada. A pedido do líder do PSDB,
Arthur Virgílio Neto (AM), a Fundação Cacique Cobra Coral foi
incluída no requerimento do líder do governo, Romero Jucá
(PMDB-RR), para que 20 pessoas, a maioria técnicos, estejam no
Senado para explicar o blecaute.
O requerimento oral foi
posto em votação pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que
presidia a reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia e o deu
como aprovado sob protesto dos senadores governistas presentes. De
acordo com os parlamentares, não se pode apresentar requerimento de
forma verbal e, sob o ponto de vista do mérito, não cabe esse tipo
de convite. A votação está suspensa e o assunto será retomado
logo após a conclusão de uma audiência pública em andamento.
A
Cobra Coral é uma fundação esotérica conhecida por
fazer uma série de previsões, inclusive sobre a política nacional.
A estratégia do líder do governo é aprovar a matéria em todas as
comissões.
Senadores da própria base aliada se irritaram com
a disputa política em torno do blecaute. Para eles, isso se
transformou em mais um desgaste para o Senado. “Não vejo meu tempo
bem gasto com coisas desse tipo. Não entendo qual é a estratégia
de não se querer fazer nada”, reagiu o peemedebista Wellington
Salgado (MG).
Valdir Raupp (PMDB-RO) foi mais direto em suas
críticas. Segundo ele, essa disputa “está virando uma
brincadeira”. Raupp ressaltou que o Senado contribui para o
desgaste da sua imagem pública “ao se prestar a esse tipo de
coisa”.
O senador Renato Casagrande (PSB-ES) concordou com o
colega peemedebista. Ele disse ainda que o assunto poderia ser bem
esclarecido com o comparecimento ao Senado do ministro de Minas e
Energia, Edison Lobão, e de representantes do Operador Nacional do
Sistema Elétrico (ONS) e da Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel).
“Partimos para a disputa eleitoral e isso é muito
ruim porque o Senado não colabora em nada para esclarecer o assunto.
A ministra Dilma não é ministra da área e o que se está
discutindo aqui é tática de disputa eleitoral”, disse
Casagrande.
Arthur Virgílio rebateu as afirmações de
Casagrande. Segundo ele, da parte da oposição não há qualquer
tipo de disputa eleitoral. O líder do PSDB acrescentou que Dilma
Rousseff foi quem elaborou o atual marco regulatório do setor de
energia e, por isso, tem que que explicar no Senado o funcionamento
do sistema.
Edição: Juliana Andrade
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