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São Paulo - O comércio de bebidas
alcoólicas no Brasil se caracteriza pelo grande numero e tipos
de estabelecimentos onde os produtos de diversas marcas são
vendidos. Essa condição do mercado facilita o consumo e
o acesso dos jovens às bebidas.
De acordo com o secretário de
Dependência Química da Associação
Brasileira de Psiquiatria (ABP), Marco Antonio Bessa, medidas
restritivas deveriam ser adotadas para reduzir essa exposição
que induz ao consumo. “No Reino Unido por exemplo, não se
pode vender bebida alcoólica em qualquer lugar. Para uma
pessoa ter um bar e vender bebida alcoólica tem que ter uma
licença especial”, disse.
Segundo Bessa, a venda de bebidas
alcoólicas, em alguns locais, contradiz a própria
campanha do governo do motorista não dirigir alcoolizado. “No
Brasil chega-se ao absurdo de se vender e consumir bebida alcoólica
em posto de gasolina, o que é um contrassenso, uma coisa
completamente estapafúrdia”, afirmou.
Para a pesquisadora do Unidade
de Pesquisas em Álcool e Drogas (Uniad), Ilana
Pinsky, o grande número de locais que comercializam bebidas,
inclusive em frente à escolas, reduz a eficácia das
medidas de prevenção. “Quando você tenta fazer
uma medida preventiva, que é muito mais difícil do que
a educativa, você tem aqueles cartazes mostrando a vida boa
relacionada à bebida alcoólica”, disse.
A restrição aos pontos
e horários de venda de bebidas alcoólica é
apontada por Ilana Pinsky como uma das políticas mais
eficientes na redução do consumo de álcool. Ela
baseia sua posição na literatura internacional que
aborda o assunto. “Prevenção de uso de álcool
e drogas nas escolas, que é uma estratégia muito
popular, infelizmente tem uma eficácia muito pequena”,
admitiu.
Aumentar os impostos sobre as
bebidas também foi uma ação apontada como
importante tanto por Ilana Pinsky quanto por Bessa. “O preço
da bebida alcoólica é muito importante no início
do consumo e também em um consumo mais pesado”, afirmou a
pesquisadora.
A adoção de políticas
eficientes para a redução do consumo de álcool,
no entanto, depende da capacidade da sociedade pressionar o Poder
Público, segundo a professora de Serviço Social da
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Roberta Uchoa. “O Estado
só vai responder se a sociedade pressionar”, disse.
Ela destacou ainda que o álcool
é a droga cujo o consumo mais cresce no país. De acordo
com Roberta Uchoa, entre 1961 e 2000 o consumo de álcool no
Brasil aumentou 155%. “Mesmo que seja em 40 anos é um
aumento muito significativo”, afirmou.
Edição: Aécio Amado
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