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Brasília - Continuam as contradições entre a Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Tarifas de Energia Elétrica da Câmara dos Deputados a
respeito do ressarcimento, aos consumidores, dos cerca de R$ 7 bilhões
cobrados a mais nos reajustes dos últimos anos.
Depois de reunião
com o diretor-geral da Aneel, Nelson Hübner, hoje (20), o presidente da
CPI, deputado Eduardo da Fonte, disse que na próxima quarta-feira
(25) o estudo da agência sobre o valor exato do que foi cobrado a mais dos
consumidores será concluído. A partir disso, começará, então, a
negociação com as distribuidoras sobre como será feito o ressarcimento.
“Eu acredito que não há dúvidas nem da Aneel, nem das empresas sobre
o erro na interpretação [do cálculo de reajuste tarifário]. Então,
imagino que ninguém vai se negar a ressarcir os consumidores”, afirmou
o deputado. Ele disse, ainda, que, depois da reunião, ficou a “certeza” de que a
Aneel está tomando todas as providências para fazer a devolução do que
foi cobrado a mais.
O presidente disse que a CPI irá
sugerir que as empresas que não devolverem o dinheiro do
consumidor sejam impedidas de renovar seus contratos de concessão.
Hübner, contudo,
negou que haja ressarcimento a ser feito. “A Aneel já colocou várias
vezes que o que está havendo é uma mudança de metodologia. Essa mudança
não implica que eu tenha débitos em relação ao passado”, afirmou o
diretor-geral da agência. Segundo ele, a negociação com as
empresas será feita para tentar mudar o cálculo a partir de agora. A
fórmula de reajuste de tarifas que causou a cobrança a mais está
prevista nos contratos e, por isso, a concordância das empresas é
necessária para que haja mudança.
Sobre a sugestão da CPI
de que as empresas que não quiserem ressarcir os consumidores sejam
impedidas de renovar seus contratos de concessão, Hübner disse que ela
precisa ser legal. “A CPI vai apresentar seu relatório e fazer as
sugestões. Mas essas sugestões precisam seguir as normas legais”,
afirmou o diretor.
Eduardo da Fonte afirmou que também vai sugerir mudanças no prazo para que as empresas de
energia paguem aos consumidores pelos danos causados aos aparelhos
eletrônicos em função do último apagão do dia 10. O deputado quer que todos os casos sejam resolvidos em até 48 horas, que é o prazo
atual apenas para geladeiras danificadas. Nos outros casos, o
ressarcimento pode levar até 45 dias.
Hübner disse que é impossível obrigar as empresas a cumprirem um prazo
menor agora. Segundo ele, a redução do prazo está sendo estudada para
os próximos casos de blecaute, mas a regra que vale agora é a de 45
dias. “Mas nós estamos negociando para que isso seja feito com o máximo de
celeridade possível”, afirmou.
Edição: Lana Cristina
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