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São Paulo - O secretário de Dependência
Química da Associação Brasileira de Psiquiatria
(ABP), Marco Antonio Bessa, classificou como precário o
atendimento psiquiátrico no país, em especial para o
dependente químico. “Na psiquiatria de modo geral, nós
temos uma desassistência aos pacientes psiquiátricos, e
para os dependentes químicos é uma tragédia”,
afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Segundo ele, em muitas cidades do
interior existem apenas “comunidades terapêuticas” onde os
doentes ficam aos cuidados de religiosos, mas não recebem o
atendimento médico qualificado.
Ele atribui o problema à
política de acabar com as vagas nos hospitais psiquiátricos,
que reduziu em mais de 60% os leitos nessas unidades. “Não
foi criada uma estrutura alternativa de acolhimento desses
pacientes”, afirmou.
Bessa disse ainda que existe uma
dupla desassistência em relação ao combate e
prevenção às drogas no Brasil. Segundo ele,
faltam políticas públicas para coibir o vício,
principalmente o do álcool, e não existe tratamento
adequado para os que já estão dependentes.
No início de novembro, o
Ministério da Saúde anunciou a destinação
de mais R$ 98,3 milhões para tratamento dos dependentes de
álcool e outras drogas. Somados aos R$ 117 milhões
anunciados em junho, os investimentos para o setor chegam a R$ 215,3
milhões. O valor permite, segundo o ministério, a
criação de mais 73 centros de atendimento psiquiátrico,
totalizando 1.467 em todo o país.
Ainda de acordo com o órgão,
a rede de atendimento à saúde mental cresce cerca de
25% ao ano e se expandiu em 246% desde 2002.
Edição: Aécio Amado
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