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Brasília - A presença do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, no Brasil
encerra a primeira etapa de um ciclo de articulações em busca da paz no
Oriente Médio – que começou no final do ano passado pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente iraniano chega amanhã (23) e ficará no país apenas um dia.
Embaixadores brasileiros que acompanham as
negociações internacionais afirmam que o objetivo é consolidar a atuação do governo
brasileiro como protagonista nas negociações internacionais.
A
ideia, segundo interlocutores do governo, é que, em todas as
oportunidades, o presidente Lula reafirme que o Brasil não deve
se posicionar como simples expectador, mas intermediário nas relações.
Para
evitar eventuais desconfortos, os diplomatas recomendaram que as
autoridades brasileiras tratem as polêmicas envolvendo o iraniano como
manifestações democráticas e legítimas. Outra sugestão dos assessores
do governo é para que a cada crítica Lula reitere que só é possível
negociar a paz no Oriente Médio se todos os envolvidos estiverem
integrados.
Nas conversas anteriores à visita de Ahmadinejad,
Lula afirmou que o isolamento do Irã pode agravar a situação no
Oriente Médio provocando mais prejuízos à região.
A visita de
Ahmadinejad ocorre uma semana depois da passagem, pelo Brasil, do
presidente de Israel, Shimon Peres, e dois dias após a vinda do líder
da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Antes, em janeiro,
o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, fez uma série de
incursões ao Oriente Médio, reunindo-se com os principais
representantes da região.
Para diplomatas, o isolamento de
Ahmadinejad incita reações a quaisquer iniciativas que visam a conter os
conflitos e a encerrar a discórdia na região. De acordo com os
negociadores, ao aproximar-se do Irã Lula atua para reduzir as restrições
à figura do presidente iraniano e as interpretações superficiais
envolvendo as controvérsias de Ahmadinejad.
No esforço para
colocar o Irã no cenário internacional, a orientação internam, no
governo brasileiro, é a de valorizar um dos aspectos mais caros aos
iranianos – a história dos persas no mundo e na cultura. Donos de uma
das culturas mais antigas do mundo oriental, os iranianos se queixam do
tratamento como integrantes de segunda classe.
Na
passagem por Brasília, Ahmadinejad e sua equipe serão saudados com uma
série de referências sobre as influências dos persas também na cultura
ocidental, como o espírito combativo e a atenção especial às artes. Os
iranianos se orgulham da sua história e querem que ela seja respeitada.
Edição: Lana Cristina
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