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21 de Novembro de 2009 - 15h50 -
Última modificação
em 21 de Novembro de 2009 - 16h24
Grafiteiros participam de encontro em Brasília e cobram regulamentação de sua arte
Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil
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Renato Araújo/ABr
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Brasília - Grafiteiros pintam muros de casas próximas da estação do metrô, na cidade satélite de Ceilândia, para chamar a atenção para o projeto de lei que regulamenta o grafite, em tramitação no Congresso Nacional. Gilmar Cristino, conhecido como Satão, presidente da organização DF Zulu Breakers, participou da ação pela aprovação do projeto
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Brasília - Os grafiteiros do
Distrito Federal e de outras regiões do país estão
reunidos em Ceilândia (DF) para participar do projeto 100 Muros
Mil Cores, um evento que faz parte do 1º Encontro Brasileiro
de Grafiteiros. Vários painéis com diversos tipos de
composição e temas estão sendo confeccionados em
100 muros de casas e estabelecimentos próximos à
estação do metrô de Ceilândia Sul, região
administrativa localizada a pouco mais de 20 quilômetros do
Plano Piloto de Brasília.
Os grafiteiros querem, além
de diferenciar a sua arte das simples pichações, o
reconhecimento e o apoio ao Projeto de Lei 138/2008, de autoria do
presidente da Frente Parlamentar da Cultura , deputado federal
Geraldo Magela (PT-DF). O projeto faz a distinção entre
as duas formas de manifestação gráfica. Ele
regulamenta, entre outras coisas, o grafite como uma manifestação
artística que promove a inclusão social e prevê
pena de prisão para o pichador.
Com a regulamentação,
o grafite pode ser exposto em qualquer lugar desde que autorizado
pelo proprietário do imóvel que vai recebê-lo.
“Grafite é uma arte e seu autor um artista, que passará
a ter chance de ter até uma remuneração. A
pichação é uma agressão ao patrimônio,
uma agressão ambiental e como tal punível como crime que
pode levar até um ano de prisão”, disse o deputado
Geraldo Magela.
A expectativa do parlamentar é pela aprovação do
projeto no Senado até o fim do ano, sem alterações,
quando será encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula
da Silva para a sanção.
O impressor gráfico,
Adilson de Moraes, que cedeu a fachada de sua casa à exposição
de uma das obras, reclama dos pichadores porque, segundo ele, são
manifestações que só dizem respeito aos próprios
pichadores e não têm a mesma qualidade artística
dos grafiteiros.
Cleiton Pessoa, grafiteiro e tatuador de
Taguatinga, região administrativa próxima a Brasília,
se define como um artista das ruas e garante que a arte ajuda a
afastar os jovens da criminalidade e das drogas, um problema grave
no Distrito Federal. “O grafite ajuda muito, pois ocupa muito a
mente da molecada. No meu caso, ajuda muito. Depois de uma jornada de
trabalho, acaba com o stress diário”,
disse.
Politicamente correto, ele não vê nenhuma
possibilidade de conflito entre os pichadores e grafiteiros. Para
Cleiton, normalmente, os pichadores respeitam os grafiteiros. Segundo
ele, se o pichador que quiser ingressar no movimento, está
convidado para as diversas oficinas que são realizadas em
Brasília e para o projeto Picasso Não Pichava.
Élton
Luiz, conhecido como Shock, que veio da Freguesia do Ó, em São
Paulo, para participar do encontro, tem obras expostas no exterior e
em vários estados. Analista dos grafites, ele acredita que é
possível identificar claramente as influências nas obras
em cada região, pela linguagem, pelos materiais e pelas
mensagens. Shock aproveitou para convidar a população
de São Paulo a participar de evento parecido, desta vez contra
a violência, que será realizado no início de
dezembro em um muro da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.
Um
dos responsáveis pelo projeto no DF, Gilmar Cristino,
conhecido como Satão, presidente da organização
DF Zulu Breakers, acredita que além da plasticidade das obras
e a mobilização dos moradores de Ceilândia,
iniciativas como esta ajudam na promoção do projeto de
lei, que se passar no Congresso Nacional, evitará que o
grafite seja reprimido pela polícia em todo o país.
“Seria
a lei [regulamentar] o grafite como uma forma de expressão
cultural. Uma arte contemporânea difundida em todo o mundo.
Talvez a única arte que, além das galerias, está
nas ruas e no dia a dia das pessoas”, afirmou.
Edição: Aécio Amado
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