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José Cruz/ABr
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Brasília - O presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante entrevista coletiva, no Itamaraty
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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou hoje (23) do
colega do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que ponha em prática uma política
democrática e de respeito à diversidade. Indiretamente, Lula se referiu ainda
ao fim do suposto apoio financeiro do Irã ao grupo radical Movimento de Resistência Islâmico (Hamas). Segundo ele, isso é essencial para
encerrar o isolamento político internacional a que o Irã está submetido.
“No mundo em que vivemos a distância geográfica e a diversidade cultural não devem
servir de pretexto para manter os povos afastados”, disse Lula. “A política
externa brasileira é balizada pelo compromisso com a democracia e o respeito à
diversidade. Defendemos os direitos humanos e a liberdade de escolha dos nossos
cidadãos e cidadãs com a mesma veemência com que repudiamos todo ato de
intolerância ou de recurso de terrorismo.”
Integrantes da comunidade internacional suspeitam que o governo de
Ahmadinejad apoie e financie as ações do Hamas. Para o presidente da
Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, é fundamental que o Irã
deixe de ser associado ao grupo extremista e assim seja possível buscar
alternativas para o fim dos conflitos no Oriente Médio.
Em janeiro de 2006, o Hamas venceu as eleições para
o Parlamento palestino derrotando o Fatah. Desde a vitória eleitoral do Hamas o conflito entre o Hamas e o Fatah está acirrado.
Em 2007, Abbas decretou a ilegalidade do Hamas. Em novembro
2009, o Hamas comprometeu-se a assinar o acordo de reconciliação interno na
Palestina, a iniciativa teve apoio do Egito que havia obtido a assinatura do Fatah.
“O Irã pode ter papel decisivo não só no Oriente
Médio, mas também na Ásia Central. Confiamos na experiência milenar de sua
cultura para forjar a ordem internacional harmônica em sua própria região. Será
particularmente importante a contribuição iraniana para lograr a unidade dos
palestinos, sem a qual suas aspirações de liberdade não poderão ser
alcançadas”, disse o presidente Lula.
Lula e Ahmadinejad conversaram sozinhos, apenas com ajuda dos tradutores,
por cerca de três horas no Palácio do Itamaraty. Na conversa, Lula reiterou
suas preocupações com as ações terroristas e a dificuldade de avançar nas
negociações pela paz enquanto os grupos radicais atuarem.
Em sua visita ao Brasil, Ahmadinejad foi alvo de críticas de vários setores da
sociedade. Os homossexuais e movimentos de diferentes etnias o acusam de
preconceito. Os integrantes da comunidade judaica repudiam o iraniano por suas
declarações questionando a ocorrência do Holocausto e defendendo o fim do
Estado de Israel. No seu discurso, Lula disse ainda que o Brasil é um exemplo de
convivência da diversidade.
Edição: Rivadavia Severo
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