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Brasília - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e mais nove chanceleres devem elaborar um documento, na próxima sexta-feira
(27), defendendo que todos os integrantes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) comprometam-se a submeter à análise conjunta eventuais acordos
militares. A iniciativa é uma resposta à ação colombiana de permitir o uso de sete de suas bases militares pelos Estados Unidos.
Na sexta-feira, Amorim participa de uma série
de reuniões com os demais chanceleres que integram a Unasul, em
Quito, no Equador. Ao longo do dia serão discutidas propostas para o
documento. Uma delas deve ser a do governo peruano que pretende manter uma posição neutra no encontro e que foi batizada de Protocolo de Paz, Segurança e Cooperação na União das Nações
Sul-Americanas.
O governo colombiano argumenta que o objetivo da utilização
das bases militares é conter o tráfico de drogas e de armas, além da
eventual ação de grupos ilegais. O estado de tensão entre o governo da
Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) é
permanente.
No entanto, diplomatas brasileiros que acompanham o
assunto afirmam que o acordo negociado entre a Colômbia e os Estados Unidos
é mais amplo do que o programa de combate ao tráfico e
ações ilegais. Segundo os diplomatas, o acordo autoriza o livre acesso
à região por parte dos militares norte-americanos, a reconstrução de
áreas eventualmente destruídas e facilidades de trânsito.
Os
integrantes da Unasul querem o detalhamento do acordo, exigem que haja
transparência no fornecimento de informações e garantias de que não há
riscos de confrontos armados na região. Exceto o Peru e a própria Colômbia, os demais
integrantes do Unasul indicaram preocupação com o acordo militar.
Autoridades
do governo brasileiro foram duros nas críticas. Para o Brasil, a
preocupação é com a autonomia militar que os Estados Unidos terão nas bases. Há três meses, antes de um encontro com o presidente da
Colômbia, Álvaro Uribe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse
que a ideia não o agradava.
Dias depois, no começo de agosto,
os presidentes dos 12 países-membros da Unasul se reuniram em Quito
para discutir o tema, mas a cúpula acabou sem acordo - Uribe não
participou da reunião. Ao contrário do presidente da Venezuela, Hugo
Chávez, que vê no uso das bases militares uma ameaça de conflito
armado na região, Lula observa o acordo entre colombianos e
norte-americanos como um risco à integração defendida pela Unasul.
Edição: Rivadavia Severo
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